Doação de R$ 2,5 milhões cria primeira bolsa perpétua da história da PUC-Rio
Casal de ex-alunos destinou recursos ao fundo patrimonial da universidade; rendimentos financiarão sucessivas gerações de estudantes de baixa renda

Uma doação de R$ 2,5 milhões feita por um casal de ex-alunos permitirá que a PUC-Rio conceda, pela primeira vez em seus 85 anos de história, uma bolsa de estudos perpétua. Em vez de consumir o valor doado, a universidade manterá o patrimônio investido e utilizará apenas os rendimentos para custear, indefinidamente, a formação de estudantes de baixa renda. O aporte foi oficializado nesta quinta-feira (2/7) por Belkiss Ferraz de Castro e Carlos Infante de Castro, ex-alunos da instituição.
Os recursos serão incorporados ao Fundo Patrimonial (Endowment) da universidade e destinados a alunos aprovados em cursos das áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (Stem, pela iniciais em inglês). Além das mensalidades, a bolsa cobrirá despesas de permanência, como alimentação, transporte e, quando necessário, moradia. A expectativa é de que o primeiro estudante seja selecionado para ingressar em 2027.
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O modelo, conhecido como bolsa perpétua, preserva integralmente o valor da doação e utiliza apenas os rendimentos financeiros para financiar novas bolsas ao longo do tempo. A iniciativa faz parte da estratégia da PUC-Rio para ampliar fontes permanentes de financiamento para ensino, pesquisa e inovação.
Para o reitor da PUC-Rio, padre Anderson Antonio Pedroso, a iniciativa reforça a cultura de solidariedade e amplia oportunidades para estudantes de baixa renda. “Cada gesto de doação nasce da gratidão e tem o poder de transformar vidas por muitas gerações”, afirmou.
Carlos Infante de Castro é engenheiro eletricista formado pela PUC-Rio e construiu carreira como executivo e conselheiro em empresas dos setores financeiro, industrial e de tecnologia. Belkiss Ferraz de Castro atuou por mais de 40 anos como professora de biologia e ciências em escolas do Rio de Janeiro. Segundo a universidade, a família mantém uma relação com a instituição ao longo de três gerações.
“Essa bolsa que instituímos é uma forma de retribuição ao que antes recebemos da PUC-Rio, na forma de apoio àqueles estudantes que, sem ela, não teriam condições de passar por esta experiência universitária insubstituível. Nossa expectativa é de que, mais à frente, eles também possam multiplicar este esforço, viabilizando o caminho de outros estudantes”, declarou Carlos.
PUC-Rio aposta em fundo patrimonial para financiar bolsas
Na avaliação da presidente da Associação dos Antigos Alunos da PUC-Rio (Alumni PUC-Rio), Barbara Cristhian, a iniciativa pode estimular uma cultura de doação de longo prazo para a educação superior. Segundo ela, o exemplo dessa doação de Carlos e Belkiss pode estimular antigos alunos, empresas e outros apoiadores a investir em mecanismos semelhantes, ampliando o alcance da generosidade de ex-alunos.
“Nossa expectativa é de que iniciativas como essa fortaleçam a cultura de doação no Brasil e mobilizem antigos alunos, empresas e toda a sociedade a investir no futuro da educação, ampliando cada vez mais as oportunidades para os jovens da PUC-Rio”, disse.
Segurança jurídica
Relançado em 2024, o Fundo Patrimonial da PUC-Rio reúne atualmente cerca de R$ 7 milhões e tem como meta alcançar R$ 35 milhões até 2028. Desde 2019, a Rede Alumni afirma ter mobilizado mais de R$ 30 milhões para projetos de apoio a estudantes, pesquisa e fortalecimento do patrimônio permanente da universidade.
Inspirado em modelos adotados por universidades internacionais, o sistema de fundos patrimoniais ganhou segurança jurídica no Brasil com a Lei nº 13.800, de 2019. A lógica é transformar grandes doações em um patrimônio permanente, usando apenas seus rendimentos para financiar bolsas, pesquisa e projetos acadêmicos ao longo das próximas décadas.