PT vai ao STF para que a PF investigue suposta interferência dos EUA nas eleições
Petição do PT ao ministro Flávio Dino cita influência da Rockbridge Network nas eleições

O Partido dos Trabalhadores (PT) pediu nesta quarta-feira, 23/9, ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de inquérito pela Polícia Federal para apurar se recursos, serviços e operações digitais vindos do exterior estão sendo usados para favorecer a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. O partido também acusou Flávio e o irmão Eduardo, em representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de “abuso de poder político, econômico e dos meios de comunicação” por esse suposto esforço coordenado para permitir interferência americana no pleito brasileiro.
As duas ações são baseadas em série de reportagens do Amado Mundo que apontam sinais de participação na campanha de Flávio Bolsonaro da Rockbridge Network, rede de articulação política conservadora dos Estados Unidos que tem entre seus cofundadores o vice-presidente americano, J.D. Vance. O PT pede esclarecimentos sobre a participação dos empresários Tallis Gomes, Pedro Sang e André Marinho em um suposto apoio à campanha, além de documentos, registros de reuniões e informações sobre eventuais recursos ou serviços.
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A manifestação foi dirigida ao ministro Flávio Dino por ele ser relator de uma ADPF e ter decidido, em agosto de 2025, que atos unilaterais de governos estrangeiros não podem gerar obrigações ou restrições no Brasil fora das hipóteses previstas na legislação nacional. O PT quer que esse entendimento seja estendido expressamente ao processo eleitoral, com efeitos sobre plataformas digitais e instituições financeiras. O partido também pediu para atuar no caso como amicus curiae.
O ministro foi indicado por Lula e foi senador pelo PT-MA até 2024, quando assumiu uma cadeira no STF.
Segundo a petição, sanções contra autoridades brasileiras, pressões comerciais e iniciativas para desacreditar as urnas estariam sendo usadas para desequilibrar a disputa. O partido pede que se investigue se medidas desse tipo foram executadas no país em descumprimento da decisão do STF.
Procurado, Flávio Bolsonaro não se manifestou até a publicação deste texto. O espaço segue aberto.
Rockbridge Network
Como mostrou a coluna do Guilherme Amado, o empresário carioca Pedro Sang, articulador no Brasil da organização trumpista americana Rockbridge Network, atuou na montagem do comitê da campanha de Flávio Bolsonaro em São Paulo, onde passou a ter um papel de liderança, buscando fornecedores e em linha direta com o próprio candidato Flávio Bolsonaro.
O partido também quer que Renan Santos e Arthur do Val sejam ouvidos e apresentem as provas que dizem ter. A coluna também revelou que Renan Santos e integrantes do partido Missão e do MBL acusam a Rockbridge Network, rede de financiadores políticos trumpistas, fundada pelo vice-presidente americano, J.D. Vance, de ajudar a financiar ilegalmente a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.
Renan diz que o empresário Tallis Gomes, membro da Rockbridge americana e fundador do G4, foi o responsável por trazer a rede ao Brasil.
Já André Marinho, filho do suplente de Flávio Bolsonaro ao Senado, elaborou um “memorando estratégico” com diretrizes em inglês de como seria uma parceria entre Brasil e Estados Unidos para exploração de minerais críticos e terras raras em um eventual governo de Flávio.
Plataforma ligada ao PL
A segunda frente que o PT pede que seja investigada trata de uma plataforma ligada ao PL. De acordo com levantamento citado na petição, ao menos oito documentários e três produções são oferecidos gratuitamente no site sem registro de contratação ou pagamento nas prestações de contas analisadas. Para o PT, isso pode configurar doação de bens ou serviços com valor econômico.
O documento aponta uma cadeia societária que liga empresas brasileiras a controladoras no exterior, e levanta a hipótese de que as empresas nacionais tenham intermediado recursos pagos de fora. O partido também questiona o uso de uma fundação mantida com dinheiro público para divulgar material de promoção de Flávio e de ataque ao presidente Lula.
Cotações como forma de medir o eleitorado
A terceira frente mira publicações de pelo menos 11 perfis no X que, entre 18 e 21 de setembro, divulgaram conteúdos marcados como “parceria paga” sobre a alta de Flávio Bolsonaro em cotações de apostas, sem identificar quem financiou os posts. A petição argumenta que cotações de apostas não equivalem a pesquisas eleitorais, por não representarem uma amostra do eleitorado nem seguirem a metodologia exigida para levantamentos, e que teriam sido usadas para criar uma percepção de favoritismo.
“Em todas as frentes narradas repete-se a mesma pergunta: quem custeia, por qual instrumento jurídico, em benefício de qual candidatura e por que a vantagem não consta da contabilidade submetida à Justiça Eleitoral”, afirma o documento.
Ação no TSE
A coligação Brasil Pronto Pra Mais, que apoia a reeleição de Lula, também apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) contra Flávio Bolsonaro, seu candidato a vice, Alfredo Gaspar, e o deputado Eduardo Bolsonaro, por suposto abuso de poder econômico e político e uso indevido dos meios de comunicação.
A coligação sustenta que articulações de Flávio e Eduardo com autoridades americanas transformaram sanções, barreiras comerciais e ataques às urnas em instrumentos contra o governo e pede a cassação dos registros ou diplomas de Flávio e Gaspar e a inelegibilidade de Flávio e Eduardo por oito anos.