Banco Master: prisão de Vorcaro indica novo ritmo na condução do caso
Alvo da Operação Compliance Zero, ex-banqueiro foi novamente detido nesta quarta-feira por obstrução da Justiça

Na manhã desta quarta-feira (4), Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, foi preso pela Polícia Federal (PF), em sua residência no Jardim Europa, em São Paulo. A prisão aconteceu como parte da terceira fase da Operação Compliance Zero, que, segundo a PF, tem o objetivo de investigar a “possível prática dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, praticados por organização criminosa”. Esta é a segunda vez que o empresário é detido em um período de cerca de quatro meses.
A nova ordem de prisão foi motivada por tentativas de obstrução de Justiça. Entre as novas descobertas apontadas pela investigação está um conjunto de mensagens de Vorcaro relatando o intuito de coagir e ameaçar, com grave violência, testemunhas e ex-empregados, além de jornalistas que atuam na cobertura do caso. O esquema envolvia o pagamento de R$ 1 milhão ao mês a um dos responsáveis pelas intimidações.
O cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, também era alvo de mandado de prisão nesta quarta-feira e se entregou na Superintendência da PF. Em nota, a defesa afirmou que, “em que pese não ter tido acesso ao objeto das investigações, Fabiano está à inteira disposição das autoridades”.
No âmbito político, Vorcaro era aguardado para depor nesta quarta-feira à CPI do Crime Organizado, em Brasília. No entanto, o ex-banqueiro já havia sinalizado que compareceria apenas à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. O ministro André Mendonça tinha decidido na terça-feira (3) que a ida dele à CPI seria facultativa.
A autorização para a operação partiu de Mendonça, que assumiu a relatoria do caso no Supremo Tribunal Federal (STF) após o afastamento do ministro Dias Toffoli.
No Matinal de hoje, a jornalista Talita Fernandes destacou que o ineditismo da decisão marca uma nova fase nas apurações. Segundo ela, “é a primeira vez que o ministro André Mendonça, o novo relator do fato, toma essa decisão”. Diante da rigidez da medida, Fernandes levantou a hipótese sobre o futuro das investigações: “Será que isso significa que a partir de agora tem um novo ritmo?”
Como a instituição Banco Central vai responder ao envolvimento
Além de Vorcaro e Zettel, a operação também teve como alvo dois servidores do Banco Central: Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de fiscalização, e Bellini Santana, ex-chefe do departamento de supervisão bancária. As investigações revelaram a comunicação direta do ex-dono do Banco Master com diretores dessas áreas estratégicas do BC. Ambos, que já haviam sido afastados administrativamente, foram alvos de mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça.
Na edição de hoje, Talita Fernandes também frisou a extrema gravidade desse fato para o órgão regulador, pontuando que “ter servidores públicos do Banco Central também afetam diretamente uma instituição”. A jornalista indicou que os desdobramentos exigem atenção e questionou abertamente: “Como a instituição vai responder a isso, afinal, já que foi diretamente atingida?”.
Beatriz Bulla também analisou os métodos utilizados pelo ex-banqueiro, que se valia do apoio de policiais aposentados para organizar ações contra desafetos. Bulla destacou a ousadia nas intimidações: “O fato de de ele usar ex-policial, um policial aposentado para isso, significa que o Vorcaro se utilizava de capangas. É disso que estamos falando aqui”. Ela avaliou que essas práticas revelam o modus operandi de “alguém que estava completamente enfronhado no poder e talvez por isso haja essa sensação de impunidade por parte dele”.
Assista a íntegra do Matinal desta quarta-feira (4/3):