Pilar Quintana: a vida na selva e a complexidade de ser mulher
No Notas de Rodapé, a autora colombiana discute sua vivência na natureza, a maternidade sem filtros e as diferenças na leitura de seus livros por homens e mulheres

A escritora colombiana Pilar Quintana, autora de obras como “A cachorra” e “Os abismos”, recentemente lançou no Brasil o angustiante romance “Noite negra”. Em entrevista ao programa Notas de Rodapé, do Amado Mundo, conduzida pela jornalista Raquel Cozer, Quintana debateu os abismos na vida das mulheres e os medos reais e invisíveis com os quais o gênero feminino é obrigado a lidar.
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A trama de seu novo livro é influenciada pelos nove anos em que a autora viveu na selva do Pacífico colombiano. Ela explicou que tomou a decisão de morar na natureza para fugir das contas caras da cidade e dedicar o melhor de seu tempo à escrita e à leitura, depois de abandonar um antigo emprego em uma agência de publicidade.
Gênero influencia na leitura
Dessa vivência, nasceu Rosa, a protagonista de “Noite negra”. Nascida em 1941, Rosa é uma mulher forte, corajosa e ambiciosa que desafia as imposições do patriarcado, decidindo viver na floresta. Contudo, a personagem depara-se com a própria vulnerabilidade quando se vê sozinha.
“Nós somos todas essas mulheres fortes, mas, no momento em que de repente ficamos sozinhas em uma rua, nos sentimos débeis e vulneráveis”, explicou Pilar Quintana.
Segundo ela, enquanto o público feminino relata forte identificação com a personagem e compreende perfeitamente a repulsa pelo chamado “male gaze” (em português, o “olhar masculino”, que pode ser ameaçador), a autora ouviu de um leitor homem que Rosa seria “paranoica”.
“Essa é uma leitura de um homem. Nenhuma mulher me disse que Rosa é paranoica”, destacou.
Pilar e a maternidade desmistificada
A escritora também falou abertamente sobre o peso da maternidade na sociedade. Relembrou que, no período em que viveu na selva, era constantemente cobrada sobre quando teria filhos e que precisava se justificar o tempo inteiro. Após engravidar aos 42 anos, descobriu as luzes, mas também a escuridão da maternidade.
“A maternidade me permitiu conhecer o monstro que vive dentro de mim. Eu nunca tinha tido tanta raiva quanto com meu filho”, relatou.
Assista à entrevista completa: