Nova Pesquisa CNT/MDA mostra cenário muito mais favorável a Lula que BTG/Nexus e Quaest
Levantamento divulgado nesta terça-feira mostra o presidente com 10 pontos de vantagem no 1º turno sobre Flávio Bolsonaro e 7,3 pontos percentuais no 2º

A nova rodada da pesquisa CNT/MDA, divulgada na manhã desta terça-feira, 15/9, mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) liderando a corrida presidencial contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), tanto no primeiro quanto em um eventual segundo turno, com desempenho bem superior ao registrado em outras pesquisas divulgadas na segunda-feira. As vantagens sobre o candidato do PL constatadas pela CNT/MDA foram de 10,1% e 7,3% em cada turno, respectivamente.
No principal cenário estimulado para o primeiro turno, quando os nomes dos candidatos são apresentados aos eleitores, a pesquisa aponta Lula na liderança com 40,5% das intenções de voto, seguido por Flávio, com 30,4%. Na sequência, aparecem Augusto Cury (Avante), com 6%; Ronaldo Caiado (PSD), com 3%; Renan Santos (Missão), com 2,7%; e Romeu Zema (Novo), com 1%. Outros candidatos somaram 1,1%. Além disso, os votos em branco e nulos representam 6%, enquanto os eleitores indecisos chegam a 7,5%.
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Na pesquisa espontânea, modelo em que os nomes não são apresentados aos entrevistados, o petista marcou 36,6% das intenções de voto contra 26,7% do senador, destacando-se também um alto índice de eleitores indecisos, que representam 20,8% do total.
Projeções para o segundo turno
Em uma simulação direta entre Lula e Flávio para um eventual segundo turno, o atual presidente mantém a liderança, embora a distância seja um pouco menor do que a registrada no levantamento anterior, de agosto, quando foi de 9%. Nesse cenário, Lula atinge 47,3% da preferência do eleitorado, contra 40% de Flávio Bolsonaro. Os eleitores que declaram voto em branco ou nulo somam 10,2%, e os indecisos representam apenas 2,5%.
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Lula também sairia vitorioso contra todos os outros candidatos testados em cenários hipotéticos de segundo turno. O petista venceria Cury por 45,3% a 38,4%, Caiado por 46,4% a 37,3%, Zema por 47,7% a 34,5% e, por fim, Renan Santos por 47,3% a 33,9%.
Voto consolidado e receio de resultado
Segundo a pesquisa, 79,8% dos eleitores que indicaram um candidato não consideram a possibilidade de mudar de opção, enquanto 20,2% dizem que ainda podem mudar a escolha. O dado mostra maior consolidação em relação ao levantamento de agosto, quando 71,2% afirmavam que a decisão era definitiva.
O levantamento também mediu o receio do eleitorado quanto aos possíveis resultados. Enquanto 34,7% apontam a continuidade do governo Lula como o cenário que causa maior receio, 35,5% disseram que a volta de alguém da família Bolsonaro ao governo é o cenário mais indesejável.
Além disso, foi medida a percepção dos eleitores sobre a gestão atual. O governo é avaliado negativamente por 39,4% dos entrevistados e positivamente por 33,8%, com 25,4% o considerando regular. Na avaliação pessoal do presidente Lula, 49,7% desaprovam seu desempenho e 45,9% aprovam.
O Instituto MDA ouviu 2.002 pessoas presencialmente, em domicílios e pontos de fluxo, entre os dias 9 e 13 de setembro. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-06902/2026.
Divergência com Quaest e BTG/Nexus
Nessa segunda-feira, 14/9, foram divulgadas as mais recentes rodadas das pesquisas Quaest e BTG/Nexus. Ambas mostraram os candidatos em empate técnico no segundo turno, com Flávio numericamente à frente (1% na BTG/Nexus e 2% na Quaest). O que chama atenção é a discrepância entre os resultados dessas pesquisas e o da CNT, que não só mostrou Lula à frente, mas com uma vantagem acima da margem de erro.
Para o cientista político e coordenador de Análise Política da BMJ Consultoria, Lucas Fernandes, essa diferença nos resultados absolutos não significa que uma pesquisa esteja certa e a outra errada. Ele explica que os levantamentos são estimativas baseadas em metodologias distintas, o que acaba produzindo “fotografias diferentes” do eleitorado.
Segundo Fernandes, parte dessa divergência se explica pelo modo de coleta — que foi telefônico na BTG/Nexus e presencial nas Quaest e CNT/MDA. Além disso, mesmo entre as pesquisas presenciais, há o chamado “house effect” (efeito da casa): cada instituto adota critérios próprios para selecionar localidades, construir as amostras e ponderar variáveis, o que naturalmente gera variações nos números.
Fernandes descarta a hipótese, sem que haja provas, de que a relação da CNT com o governo poderia influenciar o resultado. O especialista destaca, ainda, que, ao se analisar a tendência geral em vez de focar apenas no placar isolado de hoje, os institutos convergem. Dentro da própria série histórica da CNT/MDA, a vantagem de Lula sobre Flávio também diminuiu, alinhando-se à percepção das outras pesquisas de que o senador reduziu a distância e tornou a disputa mais competitiva.
“Pesquisa eleitoral funciona melhor como filme do que como uma fotografia isolada”, avalia Fernandes. Para ele, o momento exige prudência: o cenário é de uma eleição apertada, cuja trajetória só ficará clara a partir do acompanhamento contínuo da série histórica de cada instituto.
A CNT
A Confederação Nacional do Transporte (CNT) é a entidade de representação máxima do setor de transporte e logística no Brasil e reúne federações e sindicatos nacionais do setor. Ela defende os interesses das empresas de transporte junto aos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de realizar projetos e estudos para apoiar o desenvolvimento da atividade.
Sua relação com o governo é institucional e de representação de classe, buscando dialogar sobre políticas públicas e propor medidas que beneficiem o setor de transportes, como investimentos em infraestrutura e questões tributárias.