Reportagem

Após jantar, Pedro Parente descarta voto em Flávio Bolsonaro: ‘Saí com uma opinião pior’

Em resposta a João Moreira Salles, Pedro Parente nega apoio a Flávio Bolsonaro após jantar e critica falta de contato prévio da revista 'piauí'

por Luiza Barufi
03/10/2026 às 17:01 · Atualizado há 2 semanas
Pedro Parente
Em texto divulgado no LinkedIn, Pedro Parente rebate ensaio de João Moreira Salles e descarta apoio a Flávio Bolsonaro.

O ex-ministro e executivo Pedro Parente veio a público neste sábado, 3/10, para rechaçar qualquer alinhamento com a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) à presidência da República. Em resposta a um ensaio publicado pelo fundador da revista “piauí”, João Moreira Salles, Parente declarou que participou de um jantar com o parlamentar em agosto, mas que a impressão final foi desfavorável.

“Entrei com uma opinião e saí com uma opinião pior. Não votarei nele”, cravou o executivo em texto divulgado em sua página no LinkedIn.

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O encontro de agosto

Pedro Parente, que comandou a Casa Civil no governo Fernando Henrique Cardoso e presidiu a Petrobras e a BRF, explicou os bastidores de sua ida ao encontro reservado em 27 de agosto, que reuniu principalmente empresários. Segundo o executivo, o evento teve cobertura jornalística e a lista de convidados era pública.

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“Aceitei de caso pensado. Como brasileiro preocupado com o futuro do país, eu tinha ali a oportunidade rara de ouvir de perto, numa mesa de cerca de 15 pessoas, alguém que pode vir a ser eleito presidente da República”, justificou. Ele frisou ainda que o encontro partiu de uma premissa clara: “A conversa começou com a declaração explícita de que aquilo não era apoio nem pedido de ajuda para a campanha”.

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Cobrança e crítica à ‘piauí’

A manifestação pública foi motivada pelo ensaio “O que esses brasileiros sabem”, assinado por João Moreira Salles e publicado no último dia 1º de outubro. No texto, o fundador da publicação e membro da família Moreira Salles (acionista do Itaú) analisa e questiona a postura de lideranças da elite econômica que dialogam com a candidatura bolsonarista, citando nominalmente os presentes ao jantar.

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Parente expressou contrariedade por ter sido citado sem que houvesse uma apuração direta com ele. “Tenho grande respeito por João Moreira Salles e pelo que ele fez pela imprensa livre e independente no Brasil. A ‘piauí’ é a melhor prova disso: suas reportagens são apuradas com um cuidado raro. Por isso estranhei ver meu nome em ‘O que esses brasileiros sabem’ sem que ninguém da revista me tivesse procurado”, escreveu.

Posição contra a polarização

Para o executivo, o artigo deduziu de forma equivocada seu posicionamento a partir da presença no jantar. “O ensaio deduz da minha presença o que sei, o que aceito e como me comportaria em horas graves. Minhas posições são públicas e estão expressas na coluna que assino a cada quatro semanas no Globo”, pontuou.

Parente lembrou que, em texto publicado em junho sob o título “País sem projeto, candidatos sem rumo”, defendeu que o principal entrave do Brasil é a divisão política e que o país precisa de um nome conciliador. “Escrevi que a maior adversária de um projeto nacional é a polarização e que há espaço para um candidato de conciliação. Bastava ler. Ou perguntar”, concluiu Pedro Parente.

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