Parceria entre Embraer e BNDES movimenta US$ 30 bilhões e financia 1.400 aeronaves
Embraer e BNDES detalham repasse de R$ 28 bilhões para exportações nos últimos três anos e vendas para grandes aéreas globais

Em quase 30 anos, a parceria entre Embraer e BNDES já significou o financiamento de aproximadamente 1.400 aeronaves para 50 empresas globais, em um movimento estimado em cerca de US$ 30 bilhões. Os dados foram informados pelo diretor-presidente da companhia aeronáutica, Francisco Gomes Neto, e pelo presidente do banco, Aloizio Mercadante, durante participação no programa Especial Economia e Futuro, da TV Brasil. Conforme as informações apresentadas, o suporte financeiro é direcionado tanto para o desenvolvimento de novas tecnologias quanto para a comercialização dos produtos no exterior.
Saiba mais: Investimento da Embraer em Portugal é claro reflexo do compromisso europeu com a defesa
Durante o programa, Mercadante ressaltou a posição estratégica do país, ao apontar que apenas oito nações no mundo produzem aeronaves comerciais de grande porte. O presidente do BNDES declarou que “a Embraer colocou o Brasil em terceiro lugar, terceiro principal país produtor de aviões, terceira empresa do planeta, é a empresa líder em jatos regionais”.
Na avaliação do dirigente, a tentativa anterior de venda da fabricante brasileira para a norte-americana Boeing foi um erro, afirmando que a concorrente chegou a abrir um escritório local para tentar atrair a mão de obra especializada da empresa nacional.
De acordo com Gomes Neto, o modelo de financiamento oferecido pela instituição pública é um fator decisivo para fechar negócios com grandes operadoras globais. O executivo explicou o funcionamento das vendas internacionais ao apontar que “os nossos aviões são produtos caros, e os clientes normalmente financiam os aviões, e o BNDES faz esse papel”.
Ele citou como exemplos de compradores estrangeiros as empresas aéreas norte-americanas American Airlines e Skywest, que utilizam as linhas de crédito brasileiras para adquirir as aeronaves.
Os registros apontam que, somente nos últimos três anos, o banco liberou R$ 28 bilhões para dar suporte às exportações da Embraer. Esse montante impulsionou as vendas globais da nova geração de jatos comerciais da família E2, além dos modelos executivos Legacy e Praetor, que atualmente operam em todos os seis continents.
Veja: Brasil é exaltado como potência global em evento internacional na Itália
O avanço da companhia no mercado civil é sustentado por investimentos em pesquisa, que somaram mais de R$ 4 bilhões aportados pela instituição financeira nos últimos 15 anos.
Ao analisar o aporte de recursos em alta tecnologia, Mercadante defendeu a necessidade de o poder público assumir os riscos financeiros atrelados ao desenvolvimento de projetos disruptivos.