Entrevista

Para bolsonarismo, qualquer aceno de Trump representa vitória eleitoral, diz professor

Professor da Uerj, João Cezar Castro Rocha, afirmou que tentativa bolsonarista de aproximação com presidente americano parte de um delírio sistêmico

26/05/2026 às 17:19 · Atualizado há 5 meses
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) viajou aos Estados Unidos para tentar se encontrar com o presidente Donald Trump. (Andressa Anholete/Agência Senado)

Historiador e professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), João Cezar de Castro Rocha afirmou que o fato de o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) precisar buscar no presidente americano um alívio para sua campanha eleitoral mostra que ele não é um candidato que visa um “projeto nacional”. 

No domingo (24/5), Flávio embarcou para os Estados Unidos com a expectativa de que um encontro entre ele e Donald Trump pudesse ocorrer — até o momento, a Casa Branca não se pronunciou sobre esse possível encontro e não consta na divulgação oficial desta terça-feira (26) uma reunião entre os dois. 

Leia também: Folgas, horas a menos, salário, prazos: entenda o que prevê relatório do fim da escala 6×1

A tentativa de se encontrar com Trump acontece em um dos momentos mais fragilizados da campanha de Flávio, após ter sido divulgado que o senador teria pegado dinheiro com o banqueiro do Master, Daniel Vorcaro.

Bolsonarismo enxerga Trump como saída

Para o professor, a tentativa de encontro do filho do ex-presidente Bolsonaro soa mais como um “delírio sistêmico”. 

“Para o bolsonarismo, qualquer aceno de Trump representa vitória eleitoral. O que quer dizer que o bolsonarismo permanece forte e atuante porque ele segue na zona do delírio. Mas o delírio, que não é de caráter puramente psicológico, é um delírio produzido sistematicamente por um ecossistema de desinformação”, afirmou em entrevista ao Matinal. 

Ainda segundo Castro Rocha, o encontro com o presidente americano é contraprodutivo para a corrida eleitoral de 2026, já que revela “a completa submissão do clã Bolsonaro aos interesses americanos”. 

O historiador relembrou ainda o discurso feito por Flávio durante uma conferência no Texas, em março deste ano, onde ele afirmou que o Brasil era uma solução para os EUA terem acesso às terras raras.

“Ele coloca o Brasil a serviço, a reboque dos Estados Unidos”, argumentou. 

Assista a entrevista completa do Matinal desta terça:

PLAYLISTS