Reportagem

Orgias, Rolex e lobby com ministro do STF: ex-sócio revela segredos de Flávio Bolsonaro

Alexandre Santini, ex-sócio de Flávio em chocolateria, teria usado mensagens com o senador para promover chantagens

por Weslley Neto
29/09/2026 às 10:23 · Atualizado há 2 semanas
alerta vermelho Flávio Bolsonaro
O senador Flávio Bolsonaro, candidato à presidência pelo PL (Andressa Anholete/Agência Senado)

Alexandre Ferreira Dias Santini, amigo e ex-sócio de Flávio Bolsonaro (PL), acompanhou de perto toda a carreira do atual candidato à presidência da República. Porém, o que parecia uma parceria inabalável virou um atrito com constantes pedidos de acerto de contas. Os segredos guardados por Santini envolvem orgias promovidas com dinheiro de origem suspeita, mimos de luxo recebidos de parceiros lobistas e uma operação para levar os interesses de um “cliente” a Kassio Nunes Marques, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). O relato foi publicado com exclusividade pelo jornalista Rodrigo Rangel, do portal PlatôBR.

Santini formou uma sociedade com Flávio quando o político teve uma loja de chocolates que funcionou em um shopping da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. A franquia da Kopenhagen virou peça-chave nas investigações das rachadinhas, quando o senador ainda era deputado estadual.

Leia mais: Flávio Bolsonaro cogitou ir a Aparecida, mas desistiu por receio da recepção

Segundo relatos de Santini, aos quais o PlatôBR teve acesso, as pontas soltas do passado se transformaram em objeto de chantagem na forma de dossiês. Flávio teria protagonizado diferentes ações nos bastidores do governo quando seu pai era o presidente do país.

Há pouco mais de três anos, sentindo-se abandonado, o ex-sócio rompeu com Flávio Bolsonaro e passou a exigir dinheiro do então amigo. As histórias comprometedoras envolvendo Flávio estão registradas em fotos, arquivos e conversas guardadas por Santini. “Se eu quiser, eu ponho o Flávio na cadeia. Com o que tenho na mão, ele vai preso. Sei tudo da vida dele”, disse o empresário em um dos diálogos.

Orgias e operação de ‘caixa paralelo’

O próprio Santini teria sido o responsável por organizar orgias com garotas de programa bancadas com dinheiro de origem duvidosa. O ex-sócio de Flávio Bolsonaro chegou a procurar a mulher de Flávio, a dentista Fernanda Bolsonaro, para contar detalhes do que o amigo fazia quando estava longe da família.

Além dos relatos, Santini compartilhou com Fernanda as provas de que Flávio tinha o hábito de participar de festas privadas com garotas de programa. O material reuniu fotos de mulheres — entre elas, algumas impublicáveis, segundo o relato — e prints combinando encontros secretos. O dinheiro usado para a promoção das reuniões teria sido arrecadado nos tempos em que a sociedade na loja de chocolates seguia em vigor.

Santini mantinha diálogo direto com uma agenciadora de garotas de programa no Rio de Janeiro. Ele combinava os encontros com a presença de Flávio Bolsonaro, a quem se referia sempre como “meu filho” nos diálogos. Outros amigos de Flávio e Santini também eram constantemente convidados. Santini chegou a afirmar que a preferida de Flávio, apelidada de “namoradinha”, era a própria agenciadora.

Comece o dia sabendo o que importa. Receba gratuitamente a Antes da Reunião, a newsletter de política e economia do Amado Mundo. De 2ª a 6ª, às 6h30. Assine!

Santini administrava um “caixa paralelo” usado por Flávio. Além de cuidar de despesas diretas que o atual candidato à presidência não assumia diretamente, ele se encarregava de tarefas “pouco ortodoxas”, como a organização das orgias. De acordo com o relato, Santini também era responsável por bancar os investimentos em apartamentos e salas comerciais feitos pelo senador.

Flávio Bolsonaro em sua antiga chocolateria, no Rio de Janeiro (Reprodução/Instagram)

Rompimento e comprovantes guardados por Santini

Os dois cortaram relações por questões financeiras. Santini ensaiava contar o que sabia sobre Flávio Bolsonaro aos órgãos de investigação e levar a cobrança à Justiça, sob a alegação de que havia pendências financeiras a serem sanadas desde o encerramento da sociedade na loja de chocolates.

Em setembro de 2023, Santini enviou ao gabinete de Flávio uma notificação extrajudicial cobrando R$ 1,4 milhão, alegando ser um valor devido em decorrência do prejuízo da chocolateria que os dois administraram como sócios. O político não respondeu oficialmente ao pedido.

Em mensagem enviada diretamente a Santini pelo WhatsApp, Flávio pediu que o ex-sócio se afastasse “imediatamente” de sua mulher. O político admitiu que “fez muitas escolhas erradas” e ressaltou que não iria “errar nunca mais” com a própria família. Flávio também disse que não esperava levar “um tiro nas costas” de uma pessoa tão próxima, e solicitou que Santini fosse embora de Brasília.

Leia mais: Gangorra judicial: Fux volta a barrar posts sobre Flávio Bolsonaro e Nossa Senhora

Entre os comprovantes guardados por Santini, também estão detalhadas as compras de equipamentos de academia para a casa que Flávio comprou em uma das áreas mais exclusivas e caras de Brasília por R$ 5,9 milhões. As notas fiscais emitidas no ato da compra mostram que, só ali, a conta passou de R$ 90 mil. A compra teria sido feita pelo advogado Alan Belaciano, que também realizava operações financeiras para despistar a participação de Flávio.

Além de mensalidades em academias e uma TV de 75 polegadas, o “caixa informal” administrado por Santini era um recurso costumeiramente usado por Flávio. O dinheiro também foi usado para custear presentes de luxo, como foi o caso de um relógio Rolex em ouro branco, da linha Submariner Date, comprado em 10 de fevereiro de 2022 por Belaciano. Santini guardou registros que apontam que o relógio, avaliado em R$ 305 mil, não era para uso pessoal de Santini, mas sim de Flávio.

Intermediação em caso julgado por Kassio Nunes Marques

Durante anos, Santini e Flávio dialogaram sobre a suposta dívida bancada por Santini após o fim da sociedade. Em um dos diálogos, o ex-sócio do senador cita o gabinete do ministro Kassio Nunes Marques, indicado ao STF por Jair Bolsonaro e de relação próxima com a família.

Em tom de ameaça, Santini disse, em mensagem enviada a Flávio, ter a informação de que ele havia tratado diretamente com Marques sobre os interesses de um “cliente” que tinha um processo no gabinete do ministro. O caso teria relação com Belaciano, constantemente citado nas operações ligadas a Bolsonaro. Flávio teria promovido uma intermediação, com um jantar marcado para reunir as partes. Um dos representantes do gabinete de Marques esteve presente, segundo Santini.

A reaproximação entre Santini e Flávio teria ocorrido logo após a ameaça envolvendo o STF. Eles marcaram um encontro e, atualmente, o ex-sócio do candidato à presidência apoia a campanha do PL em suas redes sociais.

PLAYLISTS