Alvo de operação no Rio, banco de fraude bilionária serviu ao caso Marielle Franco
Documentos ajudaram a mapear as ações que resultaram na condenação dos irmãos Brazão pelo assassinato de Marielle Franco

Alvo de operação da Polícia Civil nesta quinta-feira, 25, o banco envolvido em fraude bilionária no Rio serviu de base para expor o modelo de grilagem de terras que levaram à solução do caso Marielle Franco. A PF mapeou essa prática por meio de documentos sobre o Banco de Crédito Móvel, extinto em 1964, que detalham as ações dos irmãos Domingos e Chiquinho Brazão. As investigações constam na ação do STF que impôs pena de 76 anos e três meses de prisão aos políticos pelo assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes.
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A ação da polícia desta quinta-feira investiga se dirigentes da Junta Comercial do Rio descumpriram pareceres da procuradoria para autorizar o retorno do registro do banco que havia encerrado as atividades, com o objetivo de obter indenizações de até R$ 2,5 bilhões.
Os caminhos do banco e da empresa dos Brazão se cruzaram em um terreno no Recreio dos Bandeirantes, área de expansão do mercado de imóveis no Rio de Janeiro. No local, os sócios da instituição planejavam a construção de casas, mas a Superplan, firma de Domingos Brazão, assumiu o controle de uma parte da área. A empresa comprou o lote de um posseiro que obteve o direito por usucapião, mecanismo que concede a propriedade do bem a quem o ocupa por anos. O litígio gerou acusações de invasão e a prefeitura suspendeu as licenças da obra.
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Esse histórico de disputa por lotes acabou incorporado pela PF aos relatórios do caso Marielle enviados ao STF. O caso serviu para detalhar o modelo de negócios baseado em grilagem de terras. A tese da acusação apontou que o homicídio de Marielle Franco ocorreu para interromper a atuação da parlamentar contra a ocupação e a regularização de áreas de interesse dos líderes do esquema nessa região.