Operação que prendeu Milton Leite encontrou 60 armas na casa de outro alvo, suspeito de integrar PCC
Arsenal estava na casa de advogado de 83 anos apontado pela polícia como membro do PCC

A recente operação da Polícia Civil de São Paulo que mirou o ex-vereador Milton Leite, uma das figuras mais poderosas da capital e homem forte do União Brasil no estado, também levou à prisão um advogado em cuja casa foram encontradas nada menos que 60 armas. O arsenal foi apreendido com Milton Mello Milreu, de 83 anos, apontado pela polícia como membro do PCC. Ele se diz um colecionador de armas.
Milreu era alvo de um mandado de prisão temporária na Operação Vectura Corrupta, que investiga elos da facção criminosa com empresas de ônibus de São Paulo. A polícia também fez busca e apreensão na casa dele, no Jardim Guedala, bairro na região do Morumbi. Questionado pelos agentes, o próprio alvo indicou onde estava o armamento, um armário de madeira no escritório do imóvel. Com a localização das armas, que segundo o Ministério Público estavam irregulares, o advogado foi preso em flagrante.
- Receba no WhatsApp tudo da coluna. Inscreva-se.
O MP denunciou Milton Milreu à Justiça, em 28 de setembro, por posse irregular de arma de uso permitido, posse ilegal de arma de uso restrito e por manter uma pistola 9 milímetros com identificação suprimida. A denúncia do MP paulista listou um “expressivo arsenal bélico” com 33 revólveres, 26 pistolas, uma espingarda, 17 carregadores e “farta quantidade de munição”. A maioria do armamento é de calibre restrito, incluindo 19 revólveres calibre .357 Magnum, 13 pistolas 9 milímetros, cinco pistolas e dois revólveres calibre .45, dois revólveres calibre .44 e um revólver calibre .41.
Segundo a promotoria, um dos revólveres calibre .357, da marca Smith & Wesson, estava carregado com 6 cartuchos, “em pleno estado de pronto emprego”.

No momento da apreensão, Milton Milreu disse que é colecionador de armas desde 1981 e que o armamento estaria registrado junto ao Exército. Ele admitiu nesse momento que o recadastramento estava vencido há quatro anos. Os investigadores concluíram, contudo, que os registros apresentados remetem ao ano de 1998.
A defesa de Milreu alegou à Justiça que as armas formam um acervo constituído “ao longo de décadas” e estão devidamente registradas pelo Exército. A advogada dele também afirmou que ele é filiado a uma academia de tiro esportivo desde 2007. A defesa tem tentado reverter a prisão de Milton Milreu argumentando que ele tem 83 anos e tem dormido no chão na prisão, em uma cela com outros 22 detidos, além de ser advogado e ter direito a ficar preso em uma sala diferenciada.
Apontado como membro do PCC
Segundo a polícia paulista, Milton Milreu é “membro da facção [PCC], atua como advogado, extrapolando o exercício regular da advocacia”. Ele é apontado como responsável por supostos pagamentos a José Daniel Satilite, conhecido como Alemão, sócio da empresa de ônibus Translíder. Satilite é, segundo a polícia, membro do PCC e intermediário entre a facção em negociações com empresários, advogados, políticos e pessoas próximas a políticos.
- Já leu todas as notas da coluna hoje? Clique aqui.
A prisão do ex-vereador Milton Leite na operação, em 18/9, após um dia foragido, teve como base conversas de Satilite. Em um diálogo com o advogado Cícero José dos Santos Filho, Satilite disse que havia comentado com Milton Milreu sobre a situação da UPBus, empresa alvo da Operação Fim da Linha, em 2024, e que seria necessário “envolver” Milton Leite para resolver a questão. Ele se referia à possibilidade de substituição da UPBus nas concessões de ônibus de São Paulo após a operação.
O ex-vereador nega ligações com o PCC e participação no esquema investigado pela polícia.