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Ônibus interestaduais: compromisso com o passageiro para além de um resultado trimestral

Primeiro trimestre de 2026 foi desafiador: ônibus interestaduais tiveram redução de 4% no número de passageiros transportados, mas setor mostra resiliência

Por Letícia Pineschi*

Publicado em 13/07/2026 às 05:59
Ônibus interestaduais
Ônibus interestaduais levam cerca de 50 milhões de passageiros em um ano no Brasil (Gervásio Baptista/Agência Brasil)

Todo setor econômico reflete em seus resultados as estratégias e os investimentos que empreende para crescer, mas, também, as pressões e os impactos que sofre de acontecimentos externos, fora mesmo de seu controle. No caso do transporte terrestre de passageiros, essa relação fica bastante clara e explícita. Ninguém tem dúvidas de que o início de 2026 tem sido bastante desafiador para todos os brasileiros.

Os juros altos e a inflação atingindo diretamente o nível de endividamento das famílias. O conflito na área de produção de petróleo no Oriente Médio, região crucial para o fornecimento de combustíveis para todo o mundo pressionando os preços nas bombas de gasolina, obrigando o governo a fazer malabarismos na tentativa de segurar a alta nos postos.

O nosso setor, claro, não teria como ficar de fora desse quadro. Levamos pessoas de um ponto a outro, seja a passeio, a trabalho, visitar a família, para estudar ou cuidar da saúde. Consumimos diesel de maneira diária e constante para garantir essa circulação por todo o país. Esses elementos todos, acoplados, se refletiram no resultado do primeiro trimestre deste ano, com base nos números gerais da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Leia mais: A avaliação da FlixBus sobre o vaivém no mercado de ônibus interestaduais 

Ônibus interestaduais: quase 50 milhões de passageiros em um ano

No acumulado de janeiro a março de 2026, 8,9 milhões de passageiros viajaram em ônibus em trajetos interestaduais pelo Brasil. Sem dúvida, é um número impressionante, mas 4% inferior ao mesmo período do ano passado. Na prática, foram quase 400 mil pessoas a menos rodando pelas rodovias brasileiras nos deslocamentos de um estado a outro.

Temos plena consciência de que nas adversidades é que se deve mostrar a força e a resiliência de um setor. Ainda mais em se falando de um segmento presente em praticamente todos os municípios brasileiros. As pessoas podem até escolher viajar de avião para economizar tempo. Mas não existem aeroportos em todas as cidades do país. Os nossos ônibus interestaduais chegam aos pontos mais longínquos do Brasil, com mais de 5.500 cidades. Com muito orgulho, afirmamos que não geramos apenas impactos econômicos, mas também sociais.

Estudantes que aprendem e evoluem em locais diferentes daqueles em que moram; pais e mães de família que asseguram o pão na mesa dos seus entes queridos em estados diferentes daqueles em que vivem. Pessoas enfermas de pequenas cidades do interior que precisam se deslocar para o único hospital qualificado da região em que estão sediados. Nada disso aconteceria se não houvesse transporte intermunicipal e interestadual de passageiros.

Responsabilidade e investimentos

Sabemos disso tudo e, mais importante ainda, estamos ciosos da nossa responsabilidade. Ao longo dos últimos anos, nossas associadas investiram mais de R$ 14 bilhões em melhoria e renovação da frota, oferecendo mais conforto e segurança, a preços competitivos, para os usuários. Temos um movimento de passageiros que beira quase 50 milhões anuais – quase 23% do total da população brasileira.

Atuamos de maneira incansável, também, contra o transporte clandestino e por normas de regulação firmes e rígidas para operar no setor. Não é reserva de mercado ou medo de concorrência. É mesmo uma questão de consciência. Nosso setor é vital para a economia e para os cidadãos em geral. A população não merece conviver com competidores à margem da norma legal, operando e competindo em mercados com empresas sérias que cumprem as determinações do ordenamento jurídico nacional.

Importante destacar que o mercado de transporte clandestino não traz problemas apenas para as demais empresas do setor. Ele traz insegurança para os passageiros, aumentando o risco de acidentes – infelizmente, alguns fatais – em nossas rodovias e impossibilita o apoio às possíveis vítimas. Empresas regulares têm seguro, sistemas de treinamento para os condutores e uma série de cuidados para que eles estejam à altura da nobre tarefa de levar os passageiros em segurança para seus destinos. Nada disso está presente nas empresas clandestinas.

Claro, como empresários, os números menores apurados no primeiro trimestre nos preocupam, mas eles espelham uma fotografia do momento, sazonal, com base em fatores externos, distantes do nosso controle operacional e que atingem vários setores da economia. Mas seguimos em frente no dia a dia, contando as estórias e levando de um local para outro os milhares de brasileiros que confiam em nós e demandam nossos serviços. Continuaremos rodando de norte a sul, de leste a oeste. É essa paixão e determinação em atender a população que nos move e nos faz começar cada dia amando o que fazemos.

*Letícia Pineschi é empresária e diretora-geral da Associação Brasileira de Transporte Interestadual de Passageiros (Abrati)

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