O que o Brasil tem a agradecer à Noruega (enquanto o domingo não chega)
No domingo, Brasil e Noruega lutarão sem tréguas por vaga nas quartas de final da Copa. Fora do campo, contudo, os dois países têm colaboração importantíssima

No próximo domingo (5/7), o Brasil enfrentará a Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. Em campo, a rivalidade será intensa, sem espaço para favores ou gratidão. No entanto, quando se trata da conservação da Amazônia, o Brasil tem muito a agradecer à Noruega. O país, que possui um imenso fundo soberano, é o principal contribuinte do Fundo Amazônia, uma iniciativa crucial para a proteção da floresta tropical.
O Fundo Amazônia foi criado durante o segundo governo de Lula, em 2008, com a missão de captar doações internacionais, baseando-se nos resultados do Brasil na redução do desmatamento. Ao longo desses 18 anos, a Noruega contribuiu com o equivalente a R$ 3 bilhões, representando mais de 50% do total de desembolsos feitos pelo fundo, que já financiou um total de 153 projetos. Esse mecanismo transformou os avanços do Brasil na proteção da Amazônia em uma cooperação internacional concreta, promovendo o desenvolvimento sustentável na região.
Coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e gerido pelo BNDES, o Fundo Amazônia já soma R$ 5,3 bilhões em doações. Aprovou 153 projetos, que beneficiaram mais de 650 organizações, 169 terras indígenas e 192 unidades de conservação, além de impactar cerca de 260 mil pessoas. Esses números evidenciam o papel vital que o fundo desempenha na conservação da Amazônia e no suporte às comunidades que dependem dela.
Noruega resistiu a desprezo do governo Bolsonaro
Uma curiosidade sobre a história do fundo reflete o negacionismo que vivemos entre 2019 e 2022. Durante o governo Bolsonaro, o fundo ficou paralisado, com a Noruega suspendendo seus aportes a partir de 2019. O então ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, contestou a prestação de contas dos projetos e tentou modificar as regras do fundo, propondo mudanças na estrutura do comitê organizador e sugerindo que parte dos recursos fosse destinada a indenizar proprietários de terrenos localizados dentro de unidades de conservação.
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Em resposta, o embaixador da Noruega, junto ao embaixador da Alemanha, defendeu a gestão do BNDES e manifestou-se contra as mudanças propostas. Em uma carta conjunta, afirmaram: “Nenhuma das auditorias financeiras ou de impacto realizadas descobriu quaisquer atos ilícitos ou má administração dos recursos do fundo. Na ausência de quaisquer mudanças acordadas na governança do Fundo Amazônia, esperamos, portanto, que o BNDES continue a administrar o Fundo e aprovar projetos em andamento, de acordo com os acordos e diretrizes existentes. Acreditamos também que melhorar ainda mais a eficiência, o impacto e o bem-estar são abordados dentro da estrutura de governança existente”.
O impasse chegou ao Supremo Tribunal Federal, que reconheceu a omissão do governo e decidiu pela reativação do Fundo Amazônico em 3 de novembro de 2022, semanas após a derrota de Bolsonaro nas eleições. Superado o período de negacionismo, o fundo voltou a operar, e entre 2023 e 2025, a média anual de recursos desembolsados alcançou R$ 224 milhões, superando a média de R$ 206 milhões registrada entre 2010 e 2018.
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Esse retorno ao funcionamento do Fundo Amazônia representou uma nova esperança para a conservação da região, reafirmando a importância da colaboração internacional e do comprometimento em proteger um dos ecossistemas mais preciosos do planeta.
Neste contexto, o Brasil realmente tem muito a agradecer à Noruega, tanto por seu apoio financeiro quanto pela firme defesa da gestão responsável e eficaz do BNDES dos recursos destinados à preservação da floresta. No campo, domingo, não temos que ter gratidão nenhuma.