O peso da provável nova derrota de Fernando Haddad
A caminho da quarta derrota eleitoral em dez anos, Haddad não deve conseguir nem o objetivo de chegar ao segundo turno em SP

Uma das mais inglórias tarefas que um candidato petista pode ter pela frente, buscar votos no estado de São Paulo, deve terminar com uma nova derrota eleitoral do ex-ministro Fernando Haddad — a quarta dele nos últimos dez anos. As pesquisas apontam para uma reeleição do governador paulista, Tarcísio de Freitas, ainda em primeiro turno no próximo domingo, 4/10, diagnóstico compartilhado por aliados dos dois candidatos nos bastidores.
Confirmando-se a vitória de Tarcísio, Haddad chegará ao seu quarto fracasso eleitoral em cinco eleições majoritárias. Eleito prefeito de São Paulo em 2012, em uma virada improvável sobre José Serra, do PSDB, o petista perdeu a reeleição em 2016 para o tucano João Doria ainda no primeiro turno. Na ocasião, o fiasco do então prefeito teve requintes de crueldade, com menos votos que a soma de brancos e nulos — vexame eleitoral frequentemente lembrado por seus adversários em campanhas.
Haddad ainda foi derrotado por Jair Bolsonaro em 2018, quando assumiu a candidatura do PT à Presidência com um Lula preso e barrado de concorrer pela Justiça Eleitoral, e perdeu para Tarcísio de Freitas na disputa pelo governo paulista, em 2022.
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Não é segredo no PT que a entrada de Fernando Haddad nos pleitos paulistas de 2022 e 2026 seu deu em contextos de “ir para o sacrifício” e “em nome de um bem maior”. O antigo “Tucanistão” paulista, que deu vitórias eleitorais sucessivas ao PSDB entre 1994 e 2018, afinal, é historicamente refratário ao PT e a Lula, especialmente o conservador e populoso interior do estado. Neste ano, por exemplo, Haddad resistia a disputar novamente com Tarcísio. Preferia uma posição de coordenação na campanha de Lula à reeleição.
Demovido a concorrer em uma chapa majoritária formada só por ex-ministros de Lula 3, o petista não conseguirá neste ano, ao que tudo indica, o mesmo “sucesso” de quatro anos atrás: levar a disputa com o bolsonarismo para o segundo turno, garantindo a Lula um palanque ativo no maior colégio eleitoral do país na etapa final da corrida presidencial. Reduzir a vantagem de Flávio Bolsonaro em São Paulo será fundamental para as pretensões do presidente em continuar no Palácio do Planalto até 2030. Com a corrida paulista liquidada no primeiro turno, o trunfo estará nas mãos de Tarcísio e Flávio.
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O retrospecto eleitoral pra lá de negativo de Fernando Haddad ganha ainda mais peso uma vez que ele é visto no PT como o nome mais forte para ser herdeiro de Lula a partir de 2030. O ex-ministro já foi testado nacionalmente e, dadas as condições adversas ao petismo no pleito de 2018, teve um resultado razoável contra Bolsonaro.
Ocorre que, se Lula perder a reeleição, esse herdeiro político entraria no pós-Lula, já em 2027, com um significativo cartel de derrotas eleitorais e fama de “ruim de voto”. Se Lula vencer Flávio Bolsonaro, Haddad certamente voltaria ao governo em posição de destaque, mas carimbado por dois reveses para o possível novo herdeiro do bolsonarismo, Tarcísio de Freitas.