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Com João Pedroso de Campos (subeditor), Gustavo Silva, João Pedro Bitencourt e Jade Abreu

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Reportagem

O nó político que impõe dificuldades a Lula para crescer em reduto bolsonarista no RJ

Campanha de Lula esbarra em elo antigo entre padrinho petista e rival do PL

por Gustavo Silva
14/07/2026 às 09:00 · Atualizado há 3 meses
Lula
O presidente Lula (Foto: Gustavo Moreno/STF)

A recente operação da PF contra o deputado Márcio Canella, que terminou com tornozeleira eletrônica e apreensão de fuzil, tinha tudo para ser a senha de que o PT precisava para cavar espaço na Baixada Fluminense. O revés atinge em cheio o homem de confiança de Flávio Bolsonaro no Rio para a corrida ao Senado e anima a campanha petista em solo fluminense. Mas o buraco é mais embaixo, apontam interlocutores.

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O plano de usar Waguinho, o lulista que abriu as portas da região para o presidente em 2022, para avançar sobre o espólio político de Canella esbarra no passado. Antes de virarem inimigos mortais na disputa pelo controle de Belford Roxo, os dois eram “unha e carne”. Ironicamente, a expressão batizou a operação da PF que fisgou Canella na última semana.

A antiga aliança política deixou um robusto histórico judicial compartilhado. Waguinho e Canella foram cassados juntos por caixa dois em 2016 e tiveram R$ 8 milhões em bens bloqueados em 2019. Eles também respondem por ceder uma área pública como recompensa a um policial militar que coordenou a campanha da dupla em 2022.

É aí que mora o verdadeiro nó para Lula, segundo coordenadores da campanha petista no Rio. O revés da direita na região não vira voto automático para a esquerda porque o eleitorado local enxerga Waguinho e Canella como duas faces da mesma moeda. Fontes da campanha admitem que, como o passado de processos une o padrinho lulista ao rival bolsonarista, o tiroteio de denúncias atuais perde o impacto com o eleitor.

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Como a coluna já mostrou, a estratégia petista na região depende do pragmatismo de Eduardo Paes para atrair prefeitos refratários à esquerda. Mas, enquanto seu principal embaixador local estiver atado ao cordão umbilical de seu maior adversário, o passaporte de Lula para a Baixada continuará retido na alfândega de Belford Roxo.

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