O médico todo-poderoso está perdendo poder, e isso é muito bom, diz pediatra Ana Escobar
Pediatra e livre-docente reflete no Notas de Rodapé sobre a desconstrução da figura do profissional inquestionável e a importância dos protocolos diante de mães conectadas

Doutora, livre-docente em pediatria, a pediatra Ana Escobar, abordou a mudança histórica na percepção que a sociedade tem do médico. Em entrevista ao programa Notas de Rodapé, do Amado Mundo, ela analisou como as gerações mais recentes estão desconstruindo o monopólio da verdade que antes ficava restrito aos consultórios. A conversa com Escobar foi ao lado da escritora Andréa del Fuego, autora do livro “A pediatra” (Companhia das Letras, 160 páginas).
“Aquele médico todo-poderoso, ele está perdendo, ao longo do tempo, esse poder, porque até algumas gerações atrás, de fato, a palavra do médico era tudo. O que o médico falou está falado”, disse a pediatra.
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“Mas agora o médico está perdendo um pouco esse poder, e acho isso muito bom. Ele está se humanizando mais, está se tornando uma pessoa”, completou.
O papel dos protocolos
Para Ana Escobar, a perda de centralidade do médico não é um problema, pois o conhecimento médico hoje é amplificado globalmente por meio de protocolos de conduta rigorosos, o que protege muito mais o paciente.
Segundo ela, hoje, para tratar uma doença como a asma, por exemplo, o protocolo determina o que deve ser feito de modo padronizado, independentemente de quem é o médico sentado por trás da mesa.
Questionada por Raquel Cozer, apresentadora do Notas de Rodapé, sobre o impacto do acesso à informação através de ferramentas de inteligência artificial como o ChatGPT, a médica concordou que as mães já chegam às consultas com conhecimentos detalhados sobre o quadro clínico de seus filhos.
O novo papel do médico moderno
Com a família cada vez mais informada, Escobar aponta que o verdadeiro papel do pediatra hoje é, primeiramente, ter um alto nível de instrução, e, em segundo lugar, saber onde o protocolo deve ser levemente adaptado para as particularidades daquela criança específica.
“Ele sabe o protocolo, mas aplica um pouco diferente para aquela criança em específico”, explicou a pediatra. Ela também defendeu que o médico atual precisa ter um diálogo franco para que a mãe concorde com o caminho traçado.
Confira a entrevista do Notas de Rodapé completa: