O fantasma da Lava Jato no caso Master
Os desdobramentos do caso Master levam a crer que o futuro pode repetir o passado mais uma vez no Brasil

A escalada do escândalo envolvendo o Banco Master e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro tem levantado paralelos com a Operação Lava Jato. As principais semelhanças residem no potencial de a investigação de gerar um “efeito dominó” sobre a classe política e na extensão imprevisível da operação, que ainda não apresenta uma linha de chegada clara.
Leia também: Xadrez de Trump e Netanyahu: entre um acordo de paz ilusório e o risco de rompimento
No caso Master, porém, os juízes das investigações que estão sendo questionados desta vez por ações consideradas “parciais” são os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
O Judiciário no centro da crise
A crise institucional instalada no próprio Supremo forçou a realização de movimentos internos. O ministro Dias Toffoli, por exemplo, declarou-se impedido de atuar nos processos relacionados ao escândalo. Mais sensível, porém, é a situação do ministro Alexandre de Moraes, exposta por supostas trocas de mensagens com o ex-banqueiro e pela contratação do escritório da esposa do magistrado, Viviane Barci de Moraes, pelo dono do banco.
O nível de exposição e o incômodo gerado por essas revelações fizeram com que o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, passasse a defender a criação de uma régua mais clara, como um código de ética, para deixar mais transparentes os limites da relação entre os ministros e os agentes privados.
Tensões na Segunda Turma
As fraturas no Supremo ficaram escancaradas durante o julgamento feito pela Segunda Turma, nesta terça-feira (16), que decidiu manter as prisões preventivas do pai de Daniel Vorcaro, Henrique Vorcaro, e do primo e operador financeiro da fraude, Felipe Cançado.
Durante a sessão, o ministro Gilmar Mendes votou pelo relaxamento das prisões, alertando para o risco de o tribunal repetir as práticas punitivistas associadas à Operação Lava Jato.
A resposta do relator do caso, ministro André Mendonça, evidenciou a divisão na Corte. Mendonça rebateu as comparações de Gilmar Mendes e apontou que os relatórios indicam a existência de uma estrutura criminosa complexa. O relator frisou que há ainda sinais claros de obstrução de Justiça, uso de informações sigilosas e intimidação de testemunhas, revelando que Henrique Vorcaro não era apenas o pai do banqueiro, mas atuava ativamente com operadores financeiros e policiais para interferir nas investigações.
Durante o embate, Mendonça afirmou que não admitiria tentativas de desacreditar o trabalho investigativo.
Confira o Matinal desta quarta-feira (17) na íntegra: