O barulho da CazéTV: Até quando vai o domínio da TV Globo?
Canal no YouTube desafia 61 anos de estrutura televisiva

O barulho da CazéTV é grande — e com razão. Pela primeira vez em muitos anos, o mercado e o público estão se fazendo uma pergunta que antes parecia impossível: até quando vai durar o domínio da TV Globo? A empresa televisiva ainda é uma mãezona, com a maioria da audiência, mas a ascensão do digital acaba de colocar em xeque um monopólio histórico.
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O choque dos números da CazéTV
A CazéTV atingiu a marca de 18,3 milhões de aparelhos conectados simultaneamente, estabelecendo um recorde mundial no YouTube. É verdade que a Globo ainda teve 40,7 milhões de pessoas assistindo só na TV, mas a grande diferença — e o que torna essa situação absurda — é que a Cazé conquistou esse império em menos de quatro anos de existência.
A quebra de um monopólio de 52 anos
Durante 52 anos, a TV Globo manteve um monopólio absoluto. A emissora pagava pesados US$ 90 milhões por ano para a Fifa, garantindo que todo o Brasil assistisse ao futebol exclusivamente com ela. No entanto, a pandemia de 2020 forçou a Globo a entrar com uma ação judicial para tentar diminuir esse custo e, como consequência, a emissora abriu mão dos direitos de transmissão na internet.
Foi nesse vácuo digital que o jogo virou. A empresa Live Mode rapidamente negociou com a Fifa e criou às pressas a CazéTV, que fez sua estreia junto com o Brasil na Copa do Catar. Sem estrutura e sem sede física, eles ainda assim bateram incríveis 3,9 milhões de pessoas no dia em que o Brasil foi eliminado. Quatro anos depois, o projeto voltou com força total: detendo 100% dos jogos e ostentando patrocínio de R$ 2 bilhões.
A reação da Globo
A Globo, vendo o barulho, está tentando acompanhar. A emissora criou a GE TV, mandou 26 criadores de conteúdo para a Copa e projeta a mesma marca de R$ 2 bilhões em patrocínios. A diferença fundamental é que, para bater esses 2 bilhões, a Globo precisa somar suas entregas na TV aberta, na TV paga e em três plataformas digitais diferentes.
Sim, a Globo ainda é gigante. Tem 13 mil funcionários e mais de seis décadas de bagagem. Mas, pela primeira vez em muito tempo, há um incômodo real no trono. E a pergunta ecoa no mercado: até quando?