O 7 a 1 da transição energética
Em evento no Rio, economista Sérgio Besserman disse que imediatismo de políticos e CEOs faz o mundo tomar uma goleada no controle de emissões

O economista Sérgio Besserman, especialista em ciência do clima e conselheiro da ONG Uma Gota no Oceano, recorreu à maior ferida do futebol nacional para resumir o atual estágio da governança ambiental no mundo. Ao ser questionado sobre o abismo entre o que a ciência exige e o que os governos de fato entregam em termos de controle e redução de emissões, foi curto e grosso: “Estamos perdendo. Feio, feio. É 7 a 1”.
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No Fórum Freio de Emergência Climática, nesta quarta-feira, 3, no Rio de Janeiro, Besserman destrinchou a lógica desse fracasso. Na avaliação do economista, o sistema de incentivos global está quebrado por puro imediatismo. Ele argumenta que nenhum CEO abre mão do bônus de fim de ano e nenhum governante sacrifica a eleição em nome de uma meta ecológica estimada para daqui a uma década.
Para o economista, essa conta não fecha. Ele apontou o que considera a maior das contradições atuais, ressaltando que, enquanto o mundo discute a duras penas o destino de bilhões para o financiamento climático, os governos destinam US$ 7 trilhões por ano do bolso dos contribuintes para subsidiar combustíveis fósseis — um cenário em que a sociedade financia o aquecimento do planeta.
“Nosso dinheiro é usado para esquentar o planeta mais rápido. Temos pela frente mais do que ajustes, uma transformação histórica”, destacou.
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Apesar do placar amplamente desfavorável, o economista avalia que o metano é a chance de um alívio rápido. Como o lobby é menor, soluções para lixões, pecuária e vazamentos entram na categoria do “ganha-ganha”.