Nova pesquisa Meio/Ideia traz péssima notícia para Flávio Bolsonaro

Pesquisa Meio/Ideia aponta perdas expressivas nas intenções de voto em Flávio Bolsonaro de eleitores jovens, mais ricos e identificados como de centro-direita

Por Lourenço Flores

Publicado em 28/05/2026 às 07:00
Flávio Bolsonaro fala com a imprensa em frente ao condomínio onde opai, Jair Bolsonaro, cumpre prisão domiciliar
Flávio Bolsonaro fala com jornalistas (foto: Bruno Peres/Agência Brasil)

A mais recente pesquisa sobre as eleições presidenciais de 2026 realizada após o surgimento do caso Master/Dark Horse confirmou a abertura de distância entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), tanto na sondagem sobre o 1º turno quanto na de 2º turno. A pior informação do levantamento Meio/Ideia para bolsonaristas, porém, nem é o índice da queda do filho 01 de Jair Bolsonaro. A notícia mais preocupante para o pré-candidato ungido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro é onde se concentrou a queda das intenções de voto: entre eleitores jovens, mais ricos e identificados como de centro-direita.

Os três recortes são apontados como cruciais para as chances de vitória dos oposicionistas. “A queda de Flávio foi grande em três grupos onde não pode perder. Entre os jovens, na centro-direita e nos que ganham mais de 5 salários. Os jovens e os moderados de direita são fundamentais num 2º turno apertado. Se ficam em casa, ele perde. Se mudam o voto, ele perde. Os brasileiros de maior renda são onde está a briga com Lula”, avalia Pedro Doria, diretor de Jornalismo do Meio.

A pesquisa Meio/Ideia, divulgada nesta quinta-feira (28/5), duas semanas depois do surgimento do áudio em que Flávio cobra do banqueiro Daniel Vorcaro pagamento milionário para financiamento do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, confirma tendência já registrada por outros institutos desde a eclosão do escândalo. No primeiro turno, no cenário estimulado, o presidente Lula abriu sete pontos percentuais de vantagem, mesmo recuando de 40% para 38,5%, pois Flávio caiu de 36% para 31,5%. Nessa hipótese, Ronaldo Caiado (União Brasil) registra 5,5%; Romeu Zema (Novo), 2,4%; e Renan Santos (Missão), 2,1%.

A sondagem de segundo turno mostra a mesma tendência. No levantamento de 6 de maio, Flávio Bolsonaro estava nominalmente na frente de Lula, com 45,3% contra 44,7% do atual presidente. Três semanas e um escândalo depois, a situação se inverteu: Lula foi a 46,5% e Flávio caiu para 41,4%.

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É quando o cenário hipotético avaliado é uma disputa de segundo turno entre Lula e o representante bolsonarista que a pesquisa constata como a queda de Flávio é mais acentuada em três grupos: somem 18,9 pontos percentuais entre eleitores que ganham mais de cinco salários mínimos, 18 pontos entre os que se identificam como de centro-direita e 15,7 pontos entre jovens de 16 a 24 anos.

Pesquisa mede impacto do caso Master/Dark Horse

O levantamento apurou o conhecimento dos entrevistados sobre o áudio no qual Flávio Bolsonaro é mostrado cobrando que o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, regularize os pagamentos acertados meses antes: 37,4% informaram ter ouvido ou visto “muita coisa” sobre o episódio; 23% disseram ter ouvido “alguma coisa” — na soma dos dois grupos, 60,4% relataram ter tido contato com o caso em algum grau de detalhamento.

Parcela de 10% disse ter ouvido falar “de passagem, sem detalhes”. E um grupo de 18,2% respondeu não ter ouvido nada sobre o episódio.

O efeito do escândalo foi descrito assim: para 44% dos eleitores, os áudios fizeram com que tivessem “uma opinião pior” sobre o senador do PL; 30,8% disseram que não mudaram sua percepção; e 14,5% responderam que a opinião deles sobre o pré-candidato melhorou; 10,7% não souberam responder.

Para 57%, o escândalo vai prejudicar muito ou um pouco a campanha; 24% avaliam que não terá impacto; e 6% sustentam que o senador acabará sendo ajudado pelo efeito “vitimização”. E 13% não souberam responder.

Um grupo muito expressivo, de 48% dos entrevistados, defendem que a revelação do pedido de dinheiro de Flávio a Vorcaro “merece uma investigação aprofundada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público”; 20% discordam dessa afirmação, mesmo percentual de quem não concorda nem discorda.

Pesquisa testou alternativas a Flávio e a Lula

A pesquisa Meio/Ideia colocou aos entrevistados cenários de primeiro turno com nomes alternativos, na hipótese de que Flávio Bolsonaro continue a perder força e seja substituído. Assim como o Datafolha, o instituto Ideia apresentou a opção Michelle Bolsonaro na vaga do enteado. Nesse cenário hipotético, Lula fica com 38%, e a ex-primeira-dama marca 29,6%; Caiado vai a 6,2%, Zema a 3,8% e Renan fica com 2,1%.

Outro teste foi com a senadora Tereza Cristina, do PL de Mato Grosso do Sul, identificada como mais moderada, nome muito ligado ao agronegócio e vista como menos próxima do bolsonarismo radical. Nessa configuração, Lula registra 38,1%, e a ex-ministra da Agricultura de Bolsonaro é escolhida por 15,9%; Caiado sobe e vai a 9,2%; Renan Santos chega a 4,5% e deixa Zema com 3,7%.

A pesquisa Meio/Ideia também avaliou uma alternativa a Lula, caso o presidente, por qualquer razão, não concorra à reeleição. O substituto apontado foi o ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad. O petista teve 36,5% das intenções de voto em primeiro turno, contra 32,7% de Flávio Bolsonaro, 5,9% de Caiado, 2,4% de Zema e 2,1% de Renan Santos.

A pesquisa Meio/Ideia, registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-02918/2026-BRASIL, realizou 1.500 entrevistas entre 23 e 27 de maio de 2026. O intervalo de confiança é de 95%, e a margem de erro, de 2,5 pp.

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