No ‘Gilmarpalooza’, Moraes pede regulação internacional de bigtechs e cita encíclica de Leão XIV: ‘papa não é comunista’
Em Lisboa, Moraes usou trechos da encíclica do papa e ironizou críticas a quem defende regulamentação do ambiente digital

Lisboa — O ministro Alexandre de Moraes, do STF, cobrou nesta segunda-feira, 1°, a criação de uma regulamentação internacional sobre bigtechs e seus algoritmos. Durante discurso em um painel no Fórum de Lisboa, o “Gilmarpalooza”, Moraes defendeu seu ponto de vista citando trechos da encíclica do papa Leão XIV Magnifica Humanitas, que mostrou preocupações com a inteligência artificial, publicada há duas semanas.
Protagonista de embates com redes sociais sobre o discurso de ódio e as fake news no Brasil, Moraes destacou pontos da carta do papa a respeito de coleta de dados, distorções da realidade a partir das visões das empresas de tecnologia e a concentração desse poder nas mãos de poucos.
“Não se pode dizer que o papa é comunista”, ironizou o ministro, referindo-se aos ataques normalmente direcionados a quem propõe regulação no ambiente digital.
Ainda em sua fala, Moraes comparou a necessidade de uma regulamentação internacional sobre bigtechs ao período pós-Segunda Guerra, em que a ONU aprovou a declaração universal dos direitos humanos.
“Há necessidade de países democráticos se unirem para uma regulamentação internacional. Isso é urgente. Daqui a poucos anos, os países não terão tecnologia necessária para impedir veiculação [de conteúdos] em seu território. Hoje é possível o bloqueio em território nacional. Daqui a pouco, devido aos satélites de baixa altitude, isso não será mais possível. A soberania dos países poderá ser desrespeitada”, afirmou.