Domi Becker

Jornalista e criadora de conteúdo, cobriu grande eventos esportivos pelo mundo antes de viajar por 60 países. Agora se prepara para a Copa 2027

Jornalista e criadora de conteúdo, embarca para a Copa com o filho de 1 ano

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Entrevista

Você acha que Neymar te defenderia? O programa de humor que mudou O rumo do jornalismo na Copa

Caito Manier e Daniel Furlan, criadores do 'Falha de Cobertura', comentaram sobre a Seleção e Neymar em entrevista ao Amado Mundo

17/07/2026 às 17:44 · Atualizado há 3 meses
Caito Mainier e Daniel Furlan, criadores do Falha de Cobertura
Caito Mainier e Daniel Furlan, criadores do Falha de Cobertura (Reprodução/Amado Mundo)

Há doze anos, os atores Daniel Furlan e Caito Mainier produzem o “Falha de Cobertura”, programa de humor que mudou a discussão sobre o futebol proposta pelo jornalismo esportivo tradicional na Copa do Mundo.

Interpretando os personagens Craque Daniel e Professor Cerginho da Pereira Nunes, a dupla comenta polêmicas e destaca a decadência do futebol brasileiro, sempre com muita ironia.

“Se estamos cada vez melhores? Melhor é uma palavra forte. Nós temos mais experiência, ficamos mais velhos. E o futebol está pior. O do Brasil, pelo menos”, respondeu Caito Mainier em entrevista da dupla da TV Quase ao Amado Mundo.

O “Falha de Cobertura” foi um dos destaques desta Copa do Mundo, com participações no Podpah e o lançamento de um guia da competição.

“A gente nunca saiu do nosso estilo, mas a galera (do jornalismo esportivo) mudou muito. A transmissão de futebol mudou, com todos esses novos players entrando. […] Eu não sou da patrulha, cada um transmite como quiser”, analisou Caito.

“A gente é um pouco velho e gosta do jornalismo sério. Não gosto muito da gracinha na transmissão”, respondeu Daniel na sequência. Nós analisamos os 48 países participantes. Para quem gosta de literatura de humor, a obra sempre fará sentido”, completou o ator sobre o Guia da copa lançado pela dupla.

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Caito e Daniel discordam em um ponto: eles enxergam cenários diferentes caso apresentassem o “Falha de Cobertura” sem personagens, com os dois falando de maneira séria sobre futebol.

“Ficaria menos potente. Os personagens permitem que você leve as discussões para um lado em que pesa mais o humor. Se a gente fizesse de uma forma normal, acho que ficaria monótono em algum momento. Eu nem estudo tanto futebol assim”, analisou Caito Mainier.

“Eu acharia legal. Ao mesmo tempo em que o personagem liberta, ele também limita. Seria interessante fazer com liberdade. A gente vê futebol em um nível obsessivo suficiente e está informado suficiente para manter um programa”, respondeu Daniel na sequência.

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Vergonha e o tema Neymar no ‘Falha de Cobertura’

Daniel Furlan pensou que a eliminação do Brasil na Copa do Mundo de 2026 seria “mais digna”. Sofrendo dois gols de Erling Haaland, a Seleção Brasileira se afastou do sonho do hexacampeonato ainda nas oitavas de final da competição.

“Não enquadraria essa derrota em uma categoria digna. A facilidade com que tomamos os gols, com uma certa apatia, dá um pouco de vergonha. Quando forçam alguma situação no jogo, tudo quebra. A gente tinha tudo para ganhar. O que ficou foi muito ruim”, destacou Daniel.

O tema Neymar também foi citado pelos atores. Daniel Furlan comentou sobre uma situação desagradável, envolvendo perturbação e ameaças de morte nas redes sociais após comentários irônicos sobre o camisa 10.

“Eu sempre penso: ‘Você é um adulto e vem aqui defender jogador de futebol? Olhe um pouco para a sua vida’. […] ‘Você acha que o Neymar defenderia você em alguma situação?’. Foi o que respondi”, detalhou o intérprete do Craque Daniel sobre o caso.

“Tudo é muito binário e radicalizado na internet. Quando a gente tem muito hate, o que é raro, geralmente é por causa de uma pessoa desavisada, que está achando que o Craque Daniel e o Cerginho existem, de fato. Já é uma questão cognitiva problemática”, completou Caito.

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Teorias da conspiração

Os atores se divertiram com as teorias da conspiração que dominaram as redes sociais após a eliminação do Brasil na Copa do Mundo — inclusive, opinaram sobre o vídeo, produzido com auxílio de inteligência artificial, em que Neymar conversa com suas outras versões espalhadas pelo tempo-espaço.

“Cheguei a ler que era culpa das bets, e também tinham umas análises apontando que ninguém da seleção tocava a bola para ele (Neymar). Eu fico lá nos comentários navegando, esse fator humano me pega”, contou Caito. “Essa questão (Neymar) é a mamadeira de piroca do futebol”, seguiu Daniel Furlan.

“Se o Neymar já chega com a taça da Copa do Mundo no vídeo, é um sinal de que a criança já deu o ok para uma nova tentativa. Por que vai lá, perguntar de novo?”, questionou o intérprete do Professor Cerginho. “E você vai pedir autorização para uma criança? Dificilmente elas tomam boas decisões”, completou o colega de “Falha de Cobertura”. “Esse vídeo produzido em um lago no Canadá me pega um pouco. Poderia ser pelo menos uma praia em Santos, né?”

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