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nem vem que não tem: arte e democracia, raça e futebol

'dentro de campo, os corpo negros corre, criam, decide partidas e carregam nas costa o sonho nacional. fora dele, a história muda de figura. os lugar de comando, de administração e de construção das narrativas continuam marcado pela desigualdade racial', escreve o curador Osmar Paulino

Osmar Paulino*

Publicado em 12/07/2026 às 06:00
Raça e futebol (foto de João Teodoro)
Raça e futebol: o esporte aparece como metáfora de uma democracia prometida e nunca cumprida (foto de João Teodoro)

vosmecês tudo gosta de dizer que o brasil é uma democracia. fala bonito, fala alto, fala como se todo mundo tivesse sentado na mesma mesa. mas basta olhar em volta pra ver que a conversa é outra. os preto construiu esse país com o corpo, com as mão, com a inteligência e com as cultura, mas quando chega a hora de repartir o poder, a cadeira continua reservada pros mermo de sempre. a democracia brasileira parece aquelas festa que chama todo mundo pra entrar, mas deixa alguns parado no portão. 

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a arte conhece bem essa história. durante muito tempo disseram quem podia aparecer, quem podia falar e quem merecia ser lembrado. os museu, as coleção e os livro ajudaram a construir um imaginário onde a brancura era o retrato da humanidade e a negritude aparecia como ausência, serviço ou exotismo. mas a arte também é lugar de disputa. quando artistas negro ocupam o espaço da representação, eles não estão apenas mostrando imagens; estão reinventando o mundo. estão dizendo que democracia não é só votar, mas também ter o direito de existir no campo da imaginação coletiva.

raça e futebol: a metáfora de uma democracia prometida e nunca cumprida

ça moça, é nesse ponto que a obra “o jogo”, do artista augusto leal, ajuda a pensar o país. o futebol aparece como metáfora de uma democracia prometida e nunca cumprida. dentro de campo, os corpo negros corre, criam, decide partidas e carregam nas costa o sonho nacional. fora dele, a história muda de figura. os lugar de comando, de administração e de construção das narrativas continuam marcado pela desigualdade racial. o campo parece aberto, mas o apito do poder continua sendo soprado pelas mesmas voz.

Raça e futebol: o esporte aparece como metáfora de uma democracia prometida e nunca cumprida (foto de João Teodoro)
Raça e futebol: o esporte aparece como metáfora de uma democracia prometida e nunca cumprida (foto de João Teodoro)

“o jogo” de augusto leal não fala apenas de futebol. fala das regras invisível que organizam a sociedade brasileira. fala de quem pode jogar, de quem define as regra e de quem fica encarregado apenas de entreter a plateia. como nos ensina pensadores como stuart hall, a representação é uma luta por significado. assim, raça continua sendo uma tecnologia de distribuição desigual da humanidade. o futebol e a arte revelam essa engrenagem funcionando diante dos nossos olho.

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talvez seja por isso que a democracia brasileira continue parecendo uma partida interrompida. o talento negro é celebrado, o corpo negro é consumido, a cultura negra é admirada, mas o poder segue concentrado. ça menina, enquanto nós fomos a maioria no espetáculo e minoria na decisão, a democracia continuará jogando contra suas própria regra. e, diante da velha fantasia da igualdade racial, o povo preto segue respondendo com a sabedoria de quem conhece o campo melhor do que ninguém: nem vem que não tem.

* Osmar Paulino é curador negro e cofundador do GRO, iniciativa que conecta arte e democracia

Os artigos publicados pelo Amado Mundo não refletem necessariamente a opinião do site. O objetivo ao publicá-los é estimular o necessário debate em qualquer democracia.
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