‘Natal amargo’, em cartaz nos cinemas, é dos filmes mais fracos da carreira de Almodóvar
Diretor espanhol Pedro Almodóvar apresentou seu mais recente trabalho no Festival de Cannes, mas saiu sem prêmios

Em cartaz nos cinemas, “Natal amargo” é um dos filmes mais fracos de Pedro Almodóvar. Ao longo de sua carreira, composta de 24 longas-metragens (e eu vi todos), ele só escorreu uma única vez, com “Amantes passageiros”, de 2013. O novo trabalho não é tão constrangedor, mas está longe de obras-primas, como “Tudo sobre minha mãe” e “Fale com ela”, ou até mesmo dos mais recentes “Dor e glória” e “Mães paralelas”. O diretor espanhol, que exibiu “Natal amargo” em Cannes, em maio, saiu do festival de mãos vazias, e a indiferença do júri foi compreensível. Há pouca originalidade na história do diretor (Leonardo Sbaraglia) que está escrevendo o roteiro de seu próximo filme e o que vemos na tela é também o filme que ele escreve.
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Almodóvar ainda mantém o domínio narrativo para construir boas histórias. O filme dentro do filme, na banalizada metalinguagem, instiga ao propor o inusitado romance de uma cineasta cult, que trocou o cinema pela publicidade (interpretada por Bárbara Lennie), com um bombeiro (Patrick Criado) que, nos fins de semana, trabalha como stripper.
O cineasta aborda temas como a síndrome do pânico, a crise de ansiedade e a tentativa de suicídio, mas sem muita profundidade. Volta, assim, ao ponto crucial de “Dor e glória”, onde obteve um resultado bem melhor. O vermelho e o verde, espalhados na bela direção de arte, voltam a marcar presença, assim como a hipnótica trilha sonora de Alberto Iglesias, seu parceiro habitual.
Ao ser explicativo, Almodóvar quer ser engraçado
A maior fraqueza vem dos momentos em que Almodóvar quer ser explicativo, ficando evidente a crise artística pela qual o cineasta passa. Ele precisa explicar para o espectador que é um filme dentro de um filme e que o protagonista “vampiriza” histórias reais ao redor para criar seu roteiro. Para o bom entendedor, já ficou claro desde os primeiros minutos. “Será um filme menor”, diz a assistente para o diretor. O próprio Almodóvar, na sua autoficção, título que “Natal amargo” recebeu na França, deve saber que fez um filme pouco inspirado, mas, conforme explicita num diálogo, sempre terá espectadores fiéis. E aí, ele está coberto de razão.
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Os filmes de Almodóvar nas plataformas de streaming:
- “Pepi, Luci, Bom e outras garotas de montão” (1980) – Belas Artes à la Carte e MUBI
- “Maus hábitos” (1983) – Filmelier+ e PlutoTV (grátis)
- “O que eu fiz para merecer isto?” (1984) – Filmelier+ e PlutoTV (grátis)
- “A Lei do desejo” (1987) – PlutoTV (grátis)
- “Mulheres à beira de um ataque de nervos” (1988) – Belas Artes à la Carte e Filmelier+
- “Ata-me!” (1990) – Telecine
- “De salto alto” (1991) – Filmelier+ e PlutoTV (grátis)
- “Kika” (1993) – PlutoTV (grátis)
- “A flor do meu segredo” (1995) – Belas Artes à la Carte, Filmelier+ e PlutoTV (grátis)
- “Carne trêmula” (1997) – Belas Artes à la Carte e Filmelier+
- “Tudo sobre minha mãe” (1999) – Prime, MUBI e Telecine
- “Fale com ela” (2002) – Belas Artes à la Carte
- “Má educação” (2004) – Filmelier+
- “Volver” (2006) – Belas Artes à la Carte e Filmelier+
- “Julieta” (2016) – aluguel no Prime
- “Dor e glória” (2019) – aluguel no Prime
- “Mães paralelas” (2021) – Netflix
- “O quarto ao lado” (2024) – Netflix
Indisponíveis
- “Labirinto de paixões” (1982)
- “Matador” (1986)
- “Abraços partidos” (2009)
- “A pele que habito” (2011)
- “Os amantes passageiros” (2013)
Veja o trailer: