MP começa apuração sobre repasses de empresa contratada do GDF a familiares de Celina
Promotoria vê indícios mínimos de irregularidade e cobra da empresa do marido de Celina prova de que prestou os serviços das 14 notas de R$ 100 mil

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) decidiu dar andamento à apuração sobre o valor de R$ 1,4 milhão que a Real JG Facilities, uma das maiores prestadoras de serviços do GDF, repassou à Faceng Engenharia, empresa que tem como sócios o marido e a filha da governadora Celina Leão (PP). Em despacho de 18 de setembro, ao qual o Amado Mundo teve acesso, o promotor Wilton Queiroz de Lima, da 1ª Promotoria de Defesa do Patrimônio Público e Social (Prodep), recebeu a Notícia de Fato apresentada pelo deputado distrital Gabriel Magno (PT). O promotor entendeu que o caso reúne “indícios mínimos de materialidade e plausibilidade”.
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No despacho, o promotor afirma que os documentos juntados parecem dar suporte à tese de que os pagamentos “podem ter por pano de fundo relações administrativamente ilícitas”. Ele pondera, porém, que optou pela “via procedimental mais cautelosa e menos gravosa”, sem instaurar de imediato uma investigação mais ampla.
A Prodep encomendou à sua assessoria técnica um parecer sobre os contratos da Real JG com o GDF e sobre os pagamentos feitos à empresa sem cobertura contratual pela Secretaria de Educação e pelo Fundeb. O parecer também deve cruzar as datas de atos do governo favoráveis à empresa com as 14 notas mensais de R$ 100 mil emitidas pela Faceng entre maio de 2025 e junho de 2026. Deve ainda verificar se a Real JG foi paga à frente de outros credores durante o contingenciamento, o que pode configurar crime.
A promotoria enviou ofícios à Real JG, à Faceng e à 3J Facilities, empresa que recebeu em julho uma nota adicional de R$ 100 mil da Faceng. Os ofícios foram encaminhados em 21 de setembro, com prazo de dez dias úteis para resposta. Da Faceng, o MP pede comprovação documental de que os serviços foram efetivamente prestados. Depois das respostas e do parecer, o promotor decidirá se instaura inquérito civil ou arquiva o caso.
A parte criminal está em outra frente. Em 8 de setembro, a chefia de gabinete da Procuradoria-Geral de Justiça enviou cópia do caso à Procuradoria-Geral da República, responsável por apurar eventuais crimes de governadores, que têm foro no STJ.
Ao jornal O Globo, que revelou os repasses em 3 de setembro, a assessoria de Celina e o advogado da Real JG disseram que a empresa foi contratada pela Vice-Governadoria por meio de pregão eletrônico, com 36 participantes. A assessoria do marido da governadora afirmou que os pagamentos se referem ao acompanhamento e à fiscalização de obras privadas no DF e em Goiás, que a Faceng não tem contratos de obras com o GDF e que os serviços já foram concluídos. A Real JG disse que a Faceng não executou obras e que prestou apenas serviços de acompanhamento e assessoramento em construção civil.
A reportagem tenta contato com a governador e as três empresas citadas.