Nove meses após entrega de minuta, movimento indígena cobra de Lula Comissão da Verdade
Proposta da criação da Comissão Nacional Indígena da Verdade está parada desde outubro, e tem apoio de 58 entidades e parecer da Defensoria Pública da União

Nove meses depois de entregar ao governo federal a minuta do decreto que cria a Comissão Nacional Indígena da Verdade (CNIV), o movimento indígena volta a pressionar o governo pela instalação do colegiado. O documento foi recebido pela então ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, em outubro de 2025, mas até agora não foi assinado. A proposta tem apoio de 58 instituições e parecer favorável da Defensoria Pública da União.
Já leu todas as notas da coluna hoje? Clique aqui.
A minuta prevê investigação sobre assassinatos, genocídios, torturas, desaparecimentos, remoções forçadas e esbulhos de terras. A Comissão teria duração de três anos e maioria indígena em sua composição. Essa medida é uma recomendação da Comissão Nacional da Verdade desde 2014. Mais de dez anos depois, o mecanismo segue sem sair do papel.
“A proposta busca criar um espaço institucional para aprofundar a investigação dessas violações, fortalecer o direito à memória e contribuir para que essas histórias sejam conhecidas e não se repitam”, diz Paulino Montejo, da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB).
Receba no WhatsApp tudo da coluna. Se inscreva.
A cobrança ganha força com um encontro entre lideranças indígenas marcado para 21 a 23 de julho, em Brasília. O diálogo vai tratar sobre os caminhos para a construção da CNIV, o fortalecimento da memória dos povos e as próximas articulações da iniciativa.