O próximo movimento do governo Lula na regulamentação das bets
Governo Lula quer frear design viciante das plataformas, mas mudança exige regras prévias para as empresas que criam os sistemas

A Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), responsável pela fiscalização das bets no país, já tem no radar a próxima etapa para regulamentar o setor de apostas no Brasil. O alvo agora são as engrenagens de design das plataformas que estimulam o clique dos apostadores por impulso, a exemplo das rodadas mais velozes e do mecanismo que repete as apostas de forma automática sem o usuário precisar apertar qualquer botão.
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Hoje, essas ferramentas seguem liberadas, o que tem rendido críticas de especialistas. Como mostrou a coluna, um estudo recente do FGV Ibre apontou justamente essa “lacuna estrutural” na regulação brasileira.
Mas há um motivo razoável para o governo ainda não ter colocado a mão nesse vespeiro. As casas de apostas não desenvolvem os próprios jogos, elas apenas alugam sistemas prontos de gigantes globais da tecnologia. Como qualquer alteração na dinâmica das apostas mexe na raiz desses produtos, a mudança impacta logo de cara essas fornecedoras estrangeiras.
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Portanto, o roteiro da SPA já está traçado e passará antes por uma regulamentação voltada exclusivamente para as relações comerciais entre as próprias empresas. Só depois de amarrar as regras para essas criadoras de tecnologia é que o governo vai, de fato, colocar o dedo na configuração dos jogos.