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Com João Pedroso de Campos (subeditor), Gustavo Silva, João Pedro Bitencourt e Jade Abreu

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Reportagem

O motivo que retém o interesse das big techs em data centers no Brasil

Oferta de recursos naturais essenciais para a Inteligência Artificial mantém o país na rota das big techs, apesar do vácuo regulatório no Congresso

por Gustavo Silva
Publicado em 06/07/2026 às 09:00
big techs
© Marcello Casal jr/Agência Brasil

Se por um lado o custo tributário deixou as big techs reticentes sobre a expansão de data centers no Brasil, por outro, os recursos naturais do país funcionam como um grande atrativo. O principal obstáculo do setor continua sendo o Redata, pacote de incentivos fiscais que ainda aguarda desfecho no Congresso. Mesmo com a proposta hoje travada, abandonar o mercado brasileiro não é uma opção realista para gigantes como Microsoft, Google e Amazon.

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O motivo é que o país entrega com facilidade a tríade que hoje define a sobrevivência dos centros de dados voltados para Inteligência Artificial: energia limpa, eletricidade barata e restrições ao consumo de água. Nos EUA e na Europa, o cenário é oposto, com empresas enfrentando falta de luz, contas inflacionadas e risco de punições pelo uso de matrizes poluidoras.

Os data centers também podem se beneficiar dos chamados curtailments, cortes de geração por excesso de produção na rede. As empresas desse mercado estão de olho nessa produção excedente, concentrada no Nordeste brasileiro, para municiar suas redes elétricas com contratos de longo prazo a preços mais baixos de fornecimento de energia.

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O último grande trunfo envolve o consumo hídrico. Para evitar crises de reputação pelo uso de água potável, a legislação brasileira obriga os novos projetos de data centers a adotarem o sistema de circuito fechado. Nele, a água abastece as tubulações seladas uma única vez e circula continuamente para resfriar as máquinas. O mecanismo reduz o desperdício a quase zero. A tecnologia blinda as big techs contra sanções ambientais, hoje uma de suas maiores motivos de insônia.

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