O detalhe que indica motivação eleitoral de Mendonça no caso Moraes-Vorcaro
André Mendonça tornou público relatório da PF em momento delicado eleitoralmente, quando poderia tê-lo feito em sigilo

Um detalhe na atuação de André Mendonça na explosão das conversas entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes leva a crer que o ministro, relator do caso Master no STF, agiu motivado por questões eleitorais.
Se estivesse preocupado unicamente com a questão jurídica da condução do caso, Mendonça teria o direito de provocar a PGR a se manifestar sobre Moraes, mas teria feito isso em sigilo. Ao fazê-lo publicamente, retirando o caráter sigiloso do relatório de 218 páginas da Polícia Federal, o ministro buscou a execração do colega de toga.
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Embora Alexandre de Moraes seja historicamente ligado à direita paulista e tenha chegado ao STF por indicação de Michel Temer, as circunstâncias políticas da acidentada história recente do país o levaram para perto de Lula. Há, portanto, uma percepção pelo eleitor de que Moraes e o presidente são aliados — percepção que ganha um inegável componente eleitoral em meio à retórica de Flávio Bolsonaro de moralização do Supremo.
Poderia ser dito que Mendonça optou por esse caminho porque precisaria da pressão da opinião pública para conseguir que as coisas se mexessem. Mas ele poderia conseguir isso da mesma maneira vazando para algum jornalista todo o material, na opção de Paulo Gonet não fazer nada.
Ao ir para um “all-in” contra Alexandre de Moraes, contudo, André Mendonça se colocou em uma situação politicamente delicada. No plenário do STF, prognósticos lógicos indicam que ele não teria maioria, com Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Cristiano Zanin e Flávio Dino alinhados a Moraes e incógnitas como Kassio Nunes Marques, Cármen Lúcia e o presidente do STF, Edson Fachin. Luiz Fux pode se ver constrangido a apoiar Moraes, por ter filho advogado.
O único cenário em que André Mendonça certamente sairia vencedor é com uma vitória de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial. Apesar do distanciamento com Flávio desde que o senador trabalhou para que o ex-PGR Augusto Aras fosse indicado ao STF, e não Mendonça, a atuação decisiva do ministro nesses últimos dias faria dele um nome inegavelmente poderoso em um novo governo bolsonarista.
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