Mortes nos terremotos na Venezuela chegam a 920; há 51 mil listados como desaparecidos
Governo confirma também 2.980 feridos até o momento; equipes de 17 países, inclusive do Brasil, são enviadas ao país com ajuda humanitária após os terremotos

O governo da Venezuela divulgou novo balanço, na tarde desta sexta-feira (26/6), no qual registra que o número de mortos confirmados em decorrência dos dois terremotos que atingiram o país na noite da última quarta-feira (24) chegou a 920. Há 2.980 feridos e 250 edifícios desabaram.
Segundo o portal “Desaparecidos Terremoto Venezuela”, criado de forma privada para monitorar o número de desaparecimentos ligados à tragédia, mais de 60 mil pessoas já tinham sido reportadas como desaparecidas até o fechamento desta reportagem. Dos 60.268 listados como desaparecidos, 8.997 já tinham sido localizados e 51.271 seguiam sem contato.
A atualização foi feita pela presidente interina, Delcy Rodríguez, e transmitida pela emissora estatal VTV. Durante o pronunciamento, a presidente afirmou que os trabalhos de resgate continuam “incansavelmente” e que dezenas de sobreviventes já foram encontrados. “Não dormimos um minuto. Há famílias que estão esperando encontrar com vida seus familiares”, complementou.
Terremotos mais fortes em 100 anos
Os terremotos que atingiram o país na quarta-feira foram os mais fortes registrados na Venezuela em, pelo menos, 100 anos. O primeiro sismo atingiu San Felipe, a oeste de Caracas, com magnitude de 7,2. Menos de 40 segundos depois, um segundo tremor, de magnitude 7,5, atingiu, sobretudo, a área de La Guaira, que teve pelo menos 100 edifícios destruídos.
Uma análise do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) estima que há 44% de probabilidade de que o desastre acabe somando mais de 10 mil mortes, e 30% de chance de que a tragédia ultrapasse as 100 mil vítimas. O USGS considera fatores como a população exposta às áreas mais afetadas e vulnerabilidade das construções para compôr a análise, e classifica a situação na Venezuela com alerta vermelho para a possibilidade de elevado número de vítimas e grandes danos materiais.
Em postagem feita no X (antigo Twitter) na noite de quinta (25), o Itamaraty divulgou que dois brasileiros estão entre as vítimas dos terremotos, um homem e uma mulher. Em resposta ao Amado Mundo nesta manhã, o ministério afirmou não haver novos desdobramentos até o momento.
Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), equipes internacionais de pelo menos 17 países estão em trânsito para a Venezuela nesta sexta-feira em missão humanitária. A comitiva brasileira — com 37 bombeiros militares de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, três servidores da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, quatro servidores da Anatel, uma caminhonete e dez toneladas de materiais e equipamentos — partiu nesta manhã.
Desespero com os resgates
As operações de resgate na Venezuela seguem ininterruptas desde os terremotos. Equipes de emergência, moradores e familiares seguem na busca por pessoas que ficaram presas nos escombros dos edifícios que desabaram. O estudante Antoan Marín, de Caracas, relatou à BBC News Brasil que os socorristas estão indo além da própria capacidade para realizar os resgates, retirando as pessoas dos escombros “com unhas e dentes”. “Eles não têm maquinário especializado. Falta ajuda”, relatou.
Vídeos publicados nas redes sociais retratam a situação calamitosa em La Guaira. Edifícios aparecem completamente destruídos e pessoas desesperadas à procura de seus entes queridos. Moradores da área denunciaram, na quinta, que as equipes de resgate ainda não haviam chegado e que dezenas de pessoas não podiam ser socorridas por falta de recursos.
Um vídeo, compartilhado pela BBC nesta sexta, mostra o momento em que as equipes de resgate retiram uma mulher dos escombros em La Guaira. Graciela Mora foi resgatada dos escombros de um edifício com um dedo quebrado e alguns ferimentos. À Associated Press, ela contou que segurou a mão de uma amiga enquanto aguardavam o resgate para que essa não morresse sozinha. A amiga não resistiu.
Várias famílias postaram imagens de familiares desaparecidos, enquanto outros divulgaram listas de nomes escritos à mão. No centro de Caracas, a mãe de três filhos Dayana Delgado questionou onde estaria o maquinário prometido pelo governo. “Quero saber onde meu filho está, se ele está preso ou em um abrigo”, disse à Associated Press sobre o filho de oito anos.
Em La Guaira, Cristian Carreño olhava, devastado, o edifício em que morava tombado para o lado. “Perdi tudo. Imagino que ainda há pessoas lá dentro que eu não consegui retirar. É incrivelmente devastador”, relatou à Associated Press.