Moraes se diz vítima de vingança de golpistas do 8/1 e nega troca de mensagens com Vorcaro
Alexandre de Moraes nega crime e alega que Mendonça age como parte do esforço de vingança dos responsáveis pela tentativa de golpe contra a democracia

Em um documento de 44 páginas, dividido em 121 tópicos e entregue na noite dessa segunda-feira, 14/9, ao gabinete do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, o ministro Alexandre de Moraes se defende das acusações de ligações impróprias com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Na defesa, Moraes nega qualquer crime e atribui o que chama de “criminosas mentiras” a uma “vingança” tramada pelos envolvidos na tentativa de golpe de 8/1/2023.
O ministro, que tenta evitar a abertura de uma investigação criminal contra si na sessão plenária do STF desta terça-feira, 15/9, afirma que o colega André Mendonça usou relatório “imprestável” da Polícia Federal para tentar incriminá-lo no escândalo do Banco Master. O documento seria fruto de “quebra da cadeia de custódia” e até não teria sido “realizado integralmente” pela PF. Moraes sustenta que os metadados do documento revelam que ele teria sido feito com ajuda de “órgão externo provavelmente estrangeiro”, no que constituiria “clara tentativa de interferência externa” no processo eleitoral brasileiro.
Isso serve como base para Moraes pedir a nulidade do relatório usado por Mendonça. Caso o plenário da Corte aceite essa tese, o pedido de investigação criminal feito por Mendonça fica prejudicado e deve ser rejeitado.
Comece o dia sabendo o que importa. Receba gratuitamente a Antes da Reunião, a newsletter de política e economia do Amado Mundo. De 2ª a 6ª, às 6h30. Assine!
Vingança teria ‘diálogos fantasiosos’ em ‘relatório imprestável’
“A tentativa de golpe não se encerrou em 8/1/2023, simplesmente mudou modus operandi. Mas, assim como na primeira vez, o SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL saberá resistir e sairá fortalecido, mantendo a defesa plena da CONSTITUIÇÃO, do ESTADO DE DIREITO e da DEMOCRACIA”, alega Moraes no memorial entregue a Fachin.
Moraes argumenta que não há qualquer fundamento lógico na suspeita de que ele teria vazado informações da Operação Compliance Zero ao então dono do banco Master. Primeiro, porque a ação foi bem-sucedida, com Vorcaro tendo sido preso como ordenado pela Justiça. “É importante repetir que a prisão (de Vorcaro) foi normalmente realizada, inclusive com a apreensão do instrumento mais importante para a investigação – o celular do investigado”, alega.
E prossegue: “Os 7742 documentos dos autos não apontam uma única informação sobre a prévia ciência – repita-se, inexistente – do ministro Alexandre de Moraes sobre a operação, nem tampouco apontam qual a autoridade que teria passado essas informações. Não há nada nesse sentido. Só fraude e mentiras produzidas para me incriminar por motivação político-eleitoral”, diz Moraes na defesa.
O ministro responde à suspeita de que teria servido como informante de Vorcaro sobre uma operação iminente. O relatório divulgado por Mendonça revela mensagens que estariam em um celular apreendido com Daniel Vorcaro, uma delas, de dois dias antes da ação da PF e da prisão do banqueiro, em novembro do ano passado, com o que seria uma pergunta sobre se ele deveria deixar o país.
As mensagens teriam sido enviadas a um telefone registrado como sendo de Alexandre de Moraes, em forma de imagens de visualização única, apagadas automaticamente após abertas. E aqui o ministro também alega ser vítima de uma tentativa falsa de responsabilização.
A defesa do ministro sustenta, na peça, que “não há nenhuma, absolutamente nenhuma mensagem” de autoria de Moraes “que indique qualquer consultoria jurídica, favorecimento ou conhecimento prévio de qualquer operação policial”. A argumentação é de que a peça da PF não apresenta qualquer comprovação de que textos encontrados no bloco de notas de um dos celulares do banqueiro tenham sido realmente enviados a ele. E também não registram respostas do destinatário. Para Moraes, isso indica que a atribuição a ele seria fruto apenas de “inferências”.
Leia mais: STF: sessão que analisará relação de Moraes com Vorcaro tem rito definido