O casamento de Ingrid Guimarães e Mônica Martelli em ‘Minha melhor amiga’
As atrizes estrelam a comédia "Minha melhor amiga", que estreia nesta quinta (3/9) em 436 cidades do Brasil

As atrizes Ingrid Guimarães e Mônica Martelli, donas de grandes bilheterias do cinema nacional, se conheceram na década de 90. Mas só agora, três décadas depois, decidiram juntar as forças e fazer um filme juntas. “Minha melhor amiga” estreia nesta quinta (3/9) e chega quebrando recorde: é a maior abertura de um filme nacional de todos os tempos, 1531 salas de 773 cinemas, em 436 cidades.
E elas têm folego e talento para fazer muito sucesso. Ingrid vem da bem-sucedida trilogia “De pernas pro ar” e Mônica, com Paulo Gustavo, lotou cinemas com “Os Homens São de Marte… E é pra Lá que Eu Vou!” e “Minha vida em Marte”. O novo trabalho da dupla é livremente inspirado na vida delas. São duas grandes amigas que decidem viajar juntas e, assim, viver aventuras no exterior. A diretora Susana Garcia, irmã de Mônica, levou as atrizes para Portugal e Espanha e conseguiu registrar belos momentos em Lisboa e Sevilha.
Dois deles me emocionaram: na viagem de carro pelo interior em que elas cantam “Tempo perdido”, do Legião Urbana, e na homenagem a Paulo Gustavo. Mas “Minha melhor amiga” é uma comédia e humor é o que não falta, sobretudo para a parte espanhola, quando a personagem de Ingrid se enrola para se comunicar em portunhol. Eu conversei com as duas após assistir ao filme numa sessão para a imprensa.
Miguel – Por que vocês demoraram mais de trinta anos pra fazer um filme juntas? E por que “Minha melhor amiga”?
Mônica – Eu falei pra Ingrid: “o negócio é o seguinte, as coisas vêm na hora certa”. Veio na hora que tinha que vir. Eu construí uma carreira, a Ingrid construiu a carreira dela. Fizemos várias coisas separadas. Ela fez dupla com várias pessoas, eu fiz a dupla com o Paulo Gustavo e, agora, nos encontramos, trinta anos depois.
Ingrid – Eu brinco com a Mônica. Sabe aquela pessoa que casou três vezes e, no último casamento, falou “nossa, tá tão tranquilo”. O melhor casamento é na maturidade.
“Minha melhor amiga”: do fracasso e do sucesso”
Miguel – Uma cena que me emocionou foi quando vocês cantam “Tempo perdido”, do Legião Urbana. Como foi a gravação?
Mônica – A gente se emocionou de verdade. Quem não canta essa música? E é porque nunca é tarde pra recomeçar. Nunca é tarde pra questionar o que não está te fazendo bem. A cena celebrou nosso encontro, tudo o que já passamos, o que conquistamos. Uma acompanhou a carreira da outra a vida inteira e vimos os perrengues uma da outra.
Ingrid – Quem teve a ideia foi a diretora (Susana Garcia) e o Zé Ricardo, que fez a trilha sonora. É uma música que marcou a nossa geração. Foi a última cena do filme que a gente fez e, antes de começar a gravar, a Susana falou: “cantem essa música celebrando tudo o que vocês viveram juntas”. E choramos muito ao filmar. Somos muito amigas e amigas do fracasso e do sucesso.
Miguel – O refrão da música diz que “somos tão jovens”. Idade é um estado de espírito?
Ingrid – Eu olho pra mim e digo: “eu já tenho 54 anos?” Não que ter 54 seja uma coisa ruim, mas, dentro de mim, eu me sinto uma garota. Me sinto muito mais jovem, mais animada com a vida.
Mônica – Essa mulher de 50 anos de hoje é mais animada, sim. Essa noção de entusiasmo com a vida, que a gente sempre associa à juventude, está com a mulher de 50 anos porque a gente está repensando a vida. E nós temos várias idades ao longo do dia. Meu RG diz que eu tenho 58. Mas, quando minha filha me mostra alguma coisa na internet que eu não sei, eu tenho 100 anos. Quando eu estou apaixonada dando beijo na boca, eu tenho 20 anos. A idade não nos define.
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Miguel – Impossível falar de amizade e não falar de Paulo Gustavo e também me emocionei com a cena em que vocês fazem uma homenagem a ele.
Mônica – A gente não pode falar muito sobre a cena, não pode dar spoiler porque é surpresa para o espectador, mas foi ideia da Susana. Ela não contou para ninguém, não estava no roteiro e queria que fosse uma coisa realmente espontânea. Fizemos a cena umas três ou quatro vezes e a Susana escolheu deixar no filme o take em que choro menos porque foi muito emocionante para todo mundo.

Miguel – Gostaria que vocês citassem uma qualidade e um defeito, como amiga, uma da outra.
Ingrid – Mônica é taurina, teimosa, eu não a convenço de nada e ela me convence de tudo. E ela é muito fofa porque tenta pedir uma opinião para que eu me sinta importante. Mas não faz nada que eu peço (risos).
Mônica – Ingrid é canceriana e eu sempre fico pensando se deixei de fazer alguma coisa para ela porque ela pode ficar magoada. Ela me deixa “panicada”. E a qualidade é que a Ingrid te escuta, compra a sua dor, compra a sua briga, você pode contar com ela pra tudo.
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