Mineradora Sigma Lithium estreia na bolsa australiana
Anúncio da empresa ocorre na mesma semana em que Senado aprovou o PL que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos

A mineradora brasileira Sigma Lithium, dona da maior operação de concentrado de óxido de lítio das Américas, começou a negociar suas ações na Bolsa de Valores da Austrália (ASX) nesta sexta-feira (4/9). A estreia torna a empresa mineira, que concentra operações no Vale do Jequitinhonha, a mais nova representante brasileira em um mercado dominado por outras gigantes da mineração, como Rio Tinto, Fortescue e BHP.
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O anúncio ocorre na mesma semana em que Senado aprovou o projeto de lei (PL 2.780/2024) que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE). A lei busca garantir controle estatal sobre reservas de lítio, cobalto, níquel, grafite e terras raras, insumos base para tecnologias de ponta. O novo marco regulatório prevê R$ 7 bilhões em incentivos para estimular o processamento desses minérios no Brasil e reduzir a exportação de matéria-prima bruta.
A Sigma Lithium, que já tem ações listadas na Nasdaq, na bolsa canadense e na B3, entrou na ASX na categoria de “empresa estrangeira isenta”, modalidade que permite a listagem sem exigir todas as obrigações regulatórias aplicáveis a empresas australianas. Com a novidade, a Sigma passa a ter presença simultânea em quatro mercados de capitais: Estados Unidos, Canadá, Brasil e Austrália.
Por que a Sigma Lithium escolheu a Austrália
A ASX concentra parte relevante dos investidores especializados em mineração e em metais para a transição energética, incluindo fundos que, por política interna, só podem aportar recursos em empresas listadas por lá. A Sigma Lithium entende que isso significa acesso a um público que já entende o setor e que está geograficamente mais próximo da Ásia-Pacífico, uma região que a empresa aponta como uma de suas frentes de crescimento, puxada pela ascensão dos carros elétricos e pela expansão do armazenamento de energia renovável.
Em nota, a CEO e copresidente do conselho da Sigma Lithium, Ana Cabral, disse que a entrada na bolsa australiana é um passo natural na trajetória da companhia e destacou o interesse em ampliar a base de acionistas asiáticos.
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“A Austrália reúne uma das comunidades de investidores mais sofisticadas do mundo nos setores de lítio e minerais da transição energética e, portanto, oferece uma importante plataforma para ampliarmos nossa presença junto à nossa base de acionistas na região da Ásia”, destacou Ana.
A Sigma opera a mina e a planta de Grota do Cirilo, no Vale do Jequitinhonha, considerado o quinto maior complexo industrial de lítio de origem mineral do mundo. A capacidade atual é de 330 mil toneladas de concentrado de óxido de lítio por ano, e a empresa já projeta a construção de mais duas plantas para chegar a 830 mil toneladas anuais.
Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos
Do total de R$ 7 bilhões do marco regulatória do projeto de lei que cria a (PNMCE), R$ 5 bilhões serão concedidos em créditos fiscais ao longo de cinco anos. Os R$ 2 bilhões restantes virão de aportes do governo em um Fundo Garantidor da Atividade Mineral (FGAM) de natureza privada, criado para facilitar crédito e diminuir riscos de novas operações. A regra prioriza empresas que empreguem mão de obra local e integrem cadeias produtivas, como a fabricação de baterias.