‘Método Vorcaro’: festas sexuais serviam para enredar a cúpula do poder, diz Mara Luquet
Para jornalista, o objetivo era consolidar uma estrutura de poder 'too big to fail' em que a proximidade com membros do STF e do Congresso servisse de escudo para as operações financeiras do Banco Master

Para além da ostentação e dos excessos, as festas sexuais promovidas pelo banqueiro Daniel Vorcaro e reveladas pelo relatório da Polícia Federal serviam como uma ferramenta de “controle” institucional. Na avaliação da jornalista Mara Luquet, do canal MyNews, o esquema previa a criação de uma rede de influência pautada sobretudo pela produção de provas comprometedoras contra políticos e autoridades, enredando a alta cúpula do poder de Brasília. O objetivo final seria, assim, conferir uma espécie de “blindagem” à atuação financeira do Banco Master.
Marcadas em locais privados de cidades como Trancoso, na Bahia, para evitar o escrutínio de Brasília, as festas contavam muitas vezes com mulheres trazidas da Europa, de modo a garantir o anonimato dos convidados. Os eventos reuniam de empresários a políticos do mais alto gabarito de Brasília, revelando novas nuances do escândalo que extrapola a Faria Lima.
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Para Luquet, o objetivo do “Método Vorcaro” era consolidar uma estrutura de poder “too big to fail” (grande demais para desmoronar), na qual a proximidade com membros do Supremo Tribunal Federal e do Congresso servisse de escudo para operações financeiras que geraram rombos bilionários em fundos de pensão.
“O que nos interessa é de que forma ele usou essa moeda para corromper as instituições brasileiras. Quem promove um evento como esse quer as provas, quer os vídeos. É a moeda que eles usam nessa corrupção”, comenta a jornalista.
Leia abaixo os principais trechos da entrevista de Mara Luquet ao Matinal ou assista em vídeo ao final do texto.
Qual é a principal implicação eleitoral e social dessas revelações sobre as festas privadas de Daniel Vorcaro?
Para os homens, principalmente no eleitorado masculino, até angaria voto. O problema é que, se esses nomes vierem a público, haverá uma avalanche de divórcios e demandas para advogados de família, pois há homens casados muito preocupados com a revelação. Mas o ponto central é o interesse público: de que forma ele usou essa moeda para corromper as instituições brasileiras?
Como funcionava a logística dessas festas para garantir a blindagem dos envolvidos?
O que foi entregue pela Polícia Federal descrevia quatro mulheres para cada político. Eram estrangeiras — holandesas, suíças, suecas e norueguesas — porque não falam português, não acompanham o noticiário brasileiro e não fazem a menor ideia de quem são as pessoas presentes. Isso revela o método da operação: exuberância e ostentação montadas nos mínimos detalhes para encantar e blindar.
Existe o risco de que esses eventos tenham sido registrados para fins de chantagem, como no caso Epstein?
A informação que tenho é que não havia gravações de celulares, mas havia os vídeos do sistema de segurança da casa. Quem promove um evento como esse quer as provas. Como no caso Epstein, os vídeos são a moeda que eles usam nessa corrupção.

Como essa “teia de influência” se manifestava para além dos encontros privados?
Vorcaro criou uma teia onde o objetivo era crescer muito rápido para ser “too big to fail”. Ele fazia festas milionárias onde estavam presentes políticos da direita e da esquerda. Tudo obedecia ao método da ostentação, enquanto fundos de pensão e aposentados pagavam pelas perdas geradas pelos títulos do Banco Master.
Como você avalia a postura do STF diante das investigações que atingem figuras próximas à Corte?
Em relação ao Supremo, eu acho este o ponto mais grave, porque estamos falando da Suprema Corte. A melhor defesa para o ministro é jogar luz: o contrato existe? Qual o escopo dele? A melhor defesa é a transparência. O que se configura agora, no entanto, é uma caçada a quem vazou dados, em vez de esclarecer os fatos.
Assista à íntegra da entrevista de Mara Luquet ao Matinal: