Miguel Barbieri

Tudo sobre cinema e o mundo dos streamings

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Análise

As duas melhores minisséries do primeiro semestre estão na HBO Max

'DTF St. Louis' concorre em 13 categorias do Emmy, mas 'Pela metade' foi praticamente ignorada

15/07/2026 às 13:26 · Atualizado há 3 meses
Cena de 'DTF St Louis', da HBO Max, que recebeu 13 indicações ao Emmy (Foto de divulgação)
Cena de ‘DTF St Louis’, da HBO Max, que recebeu 13 indicações ao Emmy (Foto de divulgação)

A melhor minissérie do ano, até agora, foi esnobada no Emmy, o principal prêmio da TV americana, cuja cerimônia será em 14 de setembro. A segunda melhor minissérie, felizmente, foi lembrada em 13 categorias, mas seus dois protagonistas, absurdamente, concorrem como coadjuvantes. “Pela metade” e “DTF St. Louis” estão disponíveis na HBO Max e, coincidentemente, tratam de assuntos correlatos. Comportamentos e sentimentos masculinos, masculinidade tóxica, bi e homossexualidade reprimidas são temas abordados nos excelentes roteiros.

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“Pela metade” só recebeu uma indicação ao Emmy: melhor ator coadjuvante para Richard Gadd, que desponta em três dos seis episódios. Ele merecia mais. Criador, produtor e intérprete da premiadíssima “Bebê rena”, da Netflix, o escocês é um dos melhores roteiristas da atualidade e um ator fabuloso. Só para você ter uma ideia, ele ganhou cerca de 40 quilos para se transformar no brutamontes Ruben na fase adulta dos personagens de “Pela metade”, que também é escrita por ele.

Embora não seja inspirada em sua própria história, como ocorreu em “Bebê rena”, Gadd fez questão de gravar em sua Escócia natal. É lá que a trama se desenrola ao longo de quase três décadas. Tem início em meados dos anos 80 e mostra a convivência, entre o amor e o ódio, de dois rapazes que são criados como irmãos: o violento Ruben e o frágil Niall, interpretado com igual maestria por Jamie Bell. O relacionamento tóxico entre eles vai sufocar a homossexualidade de Niall, e um ato de violência ultrajante de Ruben vai separá-los por muitos anos. Vale também destacar as atuações dos atores que interpretam Niall e Ruben na juventude, Mitchell Robertson e Stuart Campbell, que também foram ignorados no Emmy.

Protagonistas de ‘DTF St. Louis’, da HBO Max, concorrem como coadjuvantes no Emmy

“DTF St. Louis” teve um destino melhor. Concorre em melhor minissérie, roteiro e direção, entre outras categorias — e David Harbour e Jason Bateman, que são os atores principais, vão disputar o Emmy de melhor coadjuvante. Há uma explicação para isso. Como a categoria de ator principal está bastante concorrida, a HBO acha que será mais fácil um dos dois ganhar como coadjuvante. Bateman, inclusive, está no páreo para melhor ator de minissérie por “Black rabbit”, da Netflix.

Difícil dizer qual dos dois se sai melhor. Bateman e Harbour interpretam, respectivamente, Clark e Floyd, que fazem amizade no ambiente do trabalho, mas expandem a relação para atividades físicas e bate-papos calorosos. Uma morte vai mover uma instigante trama de suspense que, nas entrelinhas, traz à tona um consistente debate sobre homens maduros que, vítimas do machismo estrutural, não conseguem explicitar seus desejos.

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