Retaliação às big techs é a melhor arma do Brasil contra tarifaço, avalia Welber Barral
Ex-secretário de Comércio Exterior do Brasil avalia os esforços do governo brasileiro contra as tarifas com uma 'nota 7'

O ex-secretário de Comércio Exterior do Brasil Welber Barral afirmou em entrevista ao programa Matinal, do Amado Mundo, desta sexta-feira (17/7), que uma eventual resposta do governo brasileiro às novas sobretaxas impostas pelos Estados Unidos deveria mirar o setor de serviços e as empresas de tecnologia americanas.
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Segundo o especialista, aplicar a lei de reciprocidade por meio de tarifas de importação tradicionais prejudicaria a própria indústria brasileira, que depende da importação de insumos como químicos, máquinas e equipamentos dos EUA.
“Você não vai colocar tarifa, mas você vai colocar alguma restrição sobre redes sociais americanas. Isso aí [restrição às big techs] dói neles”, disse. Além do lobby, retaliações cirúrgicas a produtos de regiões eleitorais específicas de líderes políticos americanos também seriam um caminho válido, na avaliação de Barral.
A ameaça do novo tarifaço de 12,5%
Além da sobretaxa de 25% já anunciada, paira a preocupação sobre uma nova rodada de tarifas decorrente de uma investigação sobre trabalho forçado (Seção 301). O ex-secretário detalhou que essa nova medida resultará em uma tarifa adicional de 12,5%, mas não será exclusiva contra o Brasil e deve afetar o mundo inteiro.
O analista de negociações internacionais explicou que essa taxa de 12,5% entrará no lugar de uma tarifa de 10% (Seção 122, ligada ao balanço de pagamentos) que expira no próximo dia 25 de julho. O que ainda gera incerteza no mercado é o chamado “stacking” — ou seja, como o governo americano fará o acúmulo dessas diferentes tarifas. Os detalhes sobre a aplicação das sobretaxas só serão conhecidos quando Donald Trump publicar a ordem executiva específica da cobrança.
Nota 7: O Brasil poderia ter se esforçado mais
Ao avaliar as negociações do governo Lula para evitar a crise, Barral atribuiu uma “nota 7” ao desempenho brasileiro. Ele ponderou que os diplomatas brasileiros enfrentaram exigências americanas que demonstravam profunda ignorância sobre o funcionamento do país, como a sugestão da privatização do Pix. Mas avaliou que o governo brasileiro poderia ter adotado táticas diferentes para tentar contornar o problema.
“A pouca presença do Brasil em Washington é culpa nossa, inclusive de mostrar quais são os interesses brasileiros e de como o Brasil funciona”, enfatizou.
Assista ao Matinal desta sexta-feira (17/7) na íntegra: