Entrevista

Retaliação às big techs é a melhor arma do Brasil contra tarifaço, avalia Welber Barral 

Ex-secretário de Comércio Exterior do Brasil avalia os esforços do governo brasileiro contra as tarifas com uma 'nota 7'

17/07/2026 às 12:41 · Atualizado há 3 meses
big techs brasil
© Marcello Casal jr/Agência Brasil

O ex-secretário de Comércio Exterior do Brasil Welber Barral afirmou em entrevista ao programa Matinal, do Amado Mundo, desta sexta-feira (17/7),  que uma eventual resposta do governo brasileiro às novas sobretaxas impostas pelos Estados Unidos deveria mirar o setor de serviços e as empresas de tecnologia americanas.

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Segundo o especialista, aplicar a lei de reciprocidade por meio de tarifas de importação tradicionais prejudicaria a própria indústria brasileira, que depende da importação de insumos como químicos, máquinas e equipamentos dos EUA. 

“Você não vai colocar tarifa, mas você vai colocar alguma restrição sobre redes sociais americanas. Isso aí [restrição às big techs] dói neles”, disse. Além do lobby, retaliações cirúrgicas a produtos de regiões eleitorais específicas de líderes políticos americanos também seriam um caminho válido, na avaliação de Barral. 

A ameaça do novo tarifaço de 12,5%

Além da sobretaxa de 25% já anunciada, paira a preocupação sobre uma nova rodada de tarifas decorrente de uma investigação sobre trabalho forçado (Seção 301). O ex-secretário detalhou que essa nova medida resultará em uma tarifa adicional de 12,5%, mas não será exclusiva contra o Brasil e deve afetar o mundo inteiro. 

O analista de negociações internacionais explicou que essa taxa de 12,5% entrará no lugar de uma tarifa de 10% (Seção 122, ligada ao balanço de pagamentos) que expira no próximo dia 25 de julho. O que ainda gera incerteza no mercado é o chamado “stacking” — ou seja, como o governo americano fará o acúmulo dessas diferentes tarifas. Os detalhes sobre a aplicação das sobretaxas só serão conhecidos quando Donald Trump publicar a ordem executiva específica da cobrança. 

Nota 7: O Brasil poderia ter se esforçado mais

Ao avaliar as negociações do governo Lula para evitar a crise, Barral atribuiu uma “nota 7” ao desempenho brasileiro. Ele ponderou que os diplomatas brasileiros enfrentaram exigências americanas que demonstravam profunda ignorância sobre o funcionamento do país, como a sugestão da privatização do Pix. Mas avaliou que o governo brasileiro poderia ter adotado táticas diferentes para tentar contornar o problema. 

“A pouca presença do Brasil em Washington é culpa nossa, inclusive de mostrar quais são os interesses brasileiros e de como o Brasil funciona”, enfatizou. 

Assista ao Matinal desta sexta-feira (17/7) na íntegra:

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