Mayra Cotta chega ao time do Amado Mundo para debater as lutas das mulheres
Advogada especializada em gênero, mestre em direito criminal, doutoranda em política, produtora e autora, Mayra Cotta é a nova colunista do Amado Mundo

A advogada, pesquisadora e defensora dos direitos das mulheres Mayra Cotta é a nova colunista do Amado Mundo. Com estreia marcada para 3 de setembro e publicações semanais todas às quintas-feiras, a proposta do espaço é lançar um olhar provocativo e analítico sobre a disputa das mulheres na política e a política das mulheres em disputa.
A partir do instrumental da teoria crítica de gênero e de uma perspectiva não liberal, a coluna não foca em conquistas puramente individuais. “É uma coluna analítica, com o instrumental da teoria crítica de gênero da nossa política, não só a política institucional, mas da política das mulheres, que é uma política que também transborda as instituições formais de poder. É a partir de uma perspectiva crítica, não liberal, que não é sobre o indivíduo, então não é uma coluna para celebrar conquistas individuais de mulheres”, explica a colunista.
Para Cotta, o espaço servirá para convidar leitores e leitoras ao pensamento crítico sobre as condições materiais e estruturais da sociedade, buscando mudanças reais para todas as mulheres.
“A chegada de Mayra Cotta ao time de colunistas do Amado Mundo é um ganho, acima de tudo, das leitoras e dos leitores, que vão poder acompanhar as ideias e construções de uma das mais importantes vozes do país na defesa das mulheres e no empoderamento feminino”, afirma o jornalista Guilherme Amado, publisher do Amado Mundo.
Uma trajetória marcada pela defesa dos direitos das mulheres
A atuação de Mayra Cotta na linha de frente dos direitos humanos começou em 2006, marco da promulgação da Lei Maria da Penha. Ainda na graduação na Universidade de Brasília, onde atuava como coordenadora de extensão no Centro Acadêmico de Direito, ela ajudou a fundar o primeiro núcleo de atendimento jurídico e psicológico a mulheres em situação de violência doméstica em Ceilândia. O projeto, criado em parceria com a professora Ela Wiecko e a promotora Alessandra Morato, segue ativo no Núcleo de Práticas Jurídicas da universidade.
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Mestre em direito criminal pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), a advogada construiu uma carreira dinâmica e orientada por espaços de impacto social. No setor público, atuou como assessora jurídica da presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, ao lado de Manuela d’Ávila, e posteriormente integrou a equipe da Secretaria-Executiva da Casa Civil da Presidência da República durante o governo Dilma Rousseff.
Atuação acadêmica, consultoria e produção no audiovisual
Sua caminhada também inclui uma relevante vivência internacional. Durante seis anos em Nova York, lecionou disciplinas na intersecção entre teoria política, gênero, direito e sexualidade na Eugene Lang College of Liberal Arts, enquanto desenvolvia sua pesquisa de doutorado na New School for Social Research sob a orientação de Nancy Fraser.
Ao retornar ao Brasil em 2020, fundou, ao lado da sócia Joana Zilbersztein, uma consultoria focada em direitos humanos e empresas, com forte atuação em compliance de gênero e gestão de crise. Entre os casos de grande repercussão em que atuou, destaca-se a representação das vítimas no caso Marcius Melhem, trabalho focado em tensionar o Judiciário para o avanço da jurisprudência sobre crimes sexuais e assédio.
A experiência na gestão de conflitos no meio corporativo a levou para a indústria do audiovisual, onde passou a atuar na prevenção ao assédio e à discriminação em sets de filmagem. Essa aproximação com o setor também rendeu frutos criativos: Mayra produziu a série de humor “Afiadas“, exibida pela TV Brasil. Protagonizada por Heloísa Périssé, a obra se passa em um salão de beleza em Brasília e utiliza o humor cotidiano para popularizar debates sobre política e direitos das mulheres.
Além de sua atuação no direito e no audiovisual, Mayra é autora do livro “Um ex-amigo” e coautora de “Mulher, roupa e trabalho”, obras que dialogam diretamente com suas pesquisas sobre relações sociais, trabalho e gênero.
Ao comentar suas escolhas profissionais, a advogada destaca que sua trajetória não é tradicional ou linear. “Não tenho uma carreira com uma história linear, estou sempre atrás de espaços que me possibilitem a luta pelas mulheres para avançar na jurisprudência. Minha carreira sempre vai para locais onde dá para contribuir para um mundo melhor para todas as mulheres”, conclui.