Master? Que Master? Debates esquecem Daniel Vorcaro (e Flávio)
Primeira rodada de confrontos na TV expõe como aliados do PL evitam citar o Flávio Bolsonaro à Presidência e escanteiam escândalo do Banco Master

A primeira rodada de debates para os governos estaduais produziu dois silêncios importantes. Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PL, praticamente desapareceu do discurso de seus próprios aliados. E Daniel Vorcaro, personagem central do escândalo do Banco Master, tampouco se tornou um assunto nacional nos palanques estaduais.
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O caso de Flávio chama mais atenção porque os debates mostraram que a nacionalização da eleição já começou. Fernando Haddad defendeu Lula em São Paulo. Elmano de Freitas tentou colar Ciro Gomes em Flávio Bolsonaro no Ceará. Segurança pública, economia e temas do governo federal atravessaram diferentes confrontos. Mesmo nesse ambiente, porém, candidatos do PL ou apoiados pelo partido evitaram transformar Flávio em ativo eleitoral.
Tarcísio de Freitas é o exemplo mais simbólico. Fez questão de agradecer a Jair Bolsonaro, de quem foi ministro, mas não mencionou Flávio, embora apoie sua candidatura presidencial. No Rio, Douglas Ruas não o citou. Em Goiás, Wilder Morais também não. Luciano Zucco, no Rio Grande do Sul, tampouco. A exceção amazonense também foi reveladora: Maria do Carmo preferiu falar genericamente em apoio da “família Bolsonaro”.
É cedo para concluir que existe uma estratégia nacional deliberada de esconder Flávio. Mas o primeiro grande teste televisivo da campanha mostrou uma diferença importante entre apoiar formalmente um candidato e considerá-lo útil para pedir votos. Por enquanto, parte dos candidatos ligados ao bolsonarismo parece mais confortável em reivindicar a marca de Jair Bolsonaro do que em carregar para seus estados a candidatura de seu filho.
O outro silêncio foi Daniel Vorcaro. O escândalo do Banco Master tem personagens e desdobramentos em diferentes estados e já entrou diretamente em algumas disputas locais. No Distrito Federal, por exemplo, adversários exploraram a participação de Celina Leão na gestão de Ibaneis Rocha. Ainda assim, Vorcaro e o caso Master não se transformaram no assunto transversal que poderiam ter sido numa rodada de debates marcada justamente por acusações sobre corrupção, crime e relações políticas.
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Os dois silêncios podem ter explicações diferentes, mas merecem ser acompanhados ao longo da campanha. Debates não revelam apenas aquilo sobre o que os candidatos querem falar. Revelam também os assuntos — e principalmente os personagens — dos quais preferem manter distância.