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Maré recebe investimento de R$ 120 milhões na maior obra de saneamento em comunidades do Rio 

Intervenção prevê a implantação de 18 quilômetros de redes de saneamento e vai evitar o despejo de 1,3 bilhão de litros de esgoto por mês na Baía de Guanabara

por Gustavo Silva
03/07/2026 às 11:33 · Atualizado há 3 meses
Obras de saneamento na Maré
Vista do Rio Ramos, no Parque União, na Maré, onde acontece despejo de saneamento. Foto: Fernando Frazão

O Complexo da Maré começou a receber uma das maiores intervenções de saneamento básico já realizadas em comunidades do Rio de Janeiro. Com um investimento de R$ 120 milhões por parte da concessionária Águas do Rio, as obras têm o objetivo de universalizar o acesso à coleta de esgoto e modernizar o abastecimento de água para cerca de 200 mil moradores. O projeto, planejado para os próximos dois anos, foca no impacto positivo para a saúde pública e na recuperação ambiental do Rio Ramos e da Baía de Guanabara desde as primeiras frentes de trabalho.

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A engenharia do projeto foi desenhada para reduzir os impactos na rotina local. Na Rua Principal, a instalação de um tronco coletor de 4,5 quilômetros de extensão e até 11 metros de profundidade é realizada por meio de métodos não destrutivos. Quatro equipamentos conhecidos como tatuzinhos escavam o subsolo e instalam as tubulações simultaneamente, evitando a abertura de grandes valas e o bloqueio total das vias. Esse coletor principal receberá o efluente que hoje corre por valões e canais, direcionando todo o volume para a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Alegria, no Caju. Ao final dos trabalhos, 1,3 bilhão de litros de esgoto deixarão de poluir a Baía de Guanabara mensalmente, o equivalente a 520 piscinas olímpicas.

A escolha pelo método não destrutivo atende à necessidade de manter a dinâmica comercial e a mobilidade interna da comunidade. Como os tatuzinhos operam inteiramente no subsolo, as frentes de trabalho ficam restritas a pequenos canteiros isolados. As tubulações utilizadas na intervenção possuem até 1,50 metro de diâmetro, dimensão necessária para suportar a alta demanda de vazão da localidade e garantir a eficiência do escoamento a longo prazo, eliminando problemas crônicos como extravasamentos de esgoto e o mau cheiro nas vias públicas.

Rede de saneamento já começou a ser implementada

Uma das frentes prioritárias é a recuperação do Rio Ramos, curso d’água que corta a região. O projeto prevê interceptar o fluxo de esgoto doméstico instalando uma tubulação ao longo das margens para captar as ligações residenciais e comerciais que antes desaguavam diretamente ali. Do total de 18 quilômetros de redes coletoras previstas para conectar os imóveis ao tronco principal da Maré, dois quilômetros já foram implantados pelas equipes operacionais nesta fase inicial da operação.

Para Bruno Sales, gerente executivo de operações da Águas do Rio, o benefício da intervenção estrutural dispara uma transformação social em cadeia. 

“Quando uma criança deixa de adoecer por conviver com esgoto na porta de casa, ela não falta à escola. Os pais, especialmente as mães, deixam de perder dias de trabalho. O sistema de saúde reduz gastos com doenças evitáveis. A cidade inteira ganha: as praias se recuperam, os bairros se valorizam e a dignidade, a cidadania e a autoestima das pessoas acompanham. Essa rede encadeada de transformação é o que buscamos construir no Rio de Janeiro”, afirma Sales.

Obras de saneamento na Maré
Gerente de serviços da Águas do Rio, Bruno Sales, sobre as obras de saneamento no complexo de favelas da Maré. Foto: Fernando Frazão

Além da rede de esgoto, a concessionária trabalha na modernização do sistema de água por meio do programa Vem Com a Gente. As equipes atuam na melhoria do abastecimento e na formalização do acesso aos serviços de saneamento para 60 mil residências e comércios da Maré, implantando hidrômetros e atualizando o cadastro dos moradores de forma individualizada para substituir as antigas conexões improvisadas. A ação inclui também vistorias em toda a extensão da rede para a identificação e o reparo de vazamentos ocultos na rede subterrânea.

A segurança operacional do abastecimento passará por um processo de setorização. A concessionária vai instalar sete macromedidores para monitorar o volume de água que entra no complexo de favelas, além de 40 novos registros em pontos estratégicos da tubulação. Essa tecnologia permite que, em situações de manutenção corretiva ou preventiva, a empresa consiga isolar apenas trechos específicos da rede, o que reduz o número de moradores impactados por interrupções temporárias no fornecimento.

A presença no território inclui ações de responsabilidade social e geração de emprego. Metade dos 10,8 mil funcionários da Águas do Rio reside em comunidades, e a empresa prioriza a contratação de moradores da própria Maré para as frentes de trabalho, gerando renda direta dentro do próprio território. O projeto busca integrar a infraestrutura urbana ao desenvolvimento comunitário e à conscientização ambiental de toda a população local.

Nas salas de aula, o programa Saúde Nota 10 levará atividades lúdicas sobre preservação ambiental para as 46 escolas locais, alcançando crianças, jovens e educadores com experiências práticas sobre o uso consciente da água e a importância do tratamento do esgoto. Paralelamente, o diálogo com as lideranças comunitárias será mantido de forma contínua pelo programa Afluentes, servindo como um canal direto para mapear demandas de cada uma das 16 comunidades.

Ponto de inflexão na história do saneamento do Rio

Segundo o presidente da concessionária, Anselmo Leal, o início das obras representa a superação de barreiras históricas e a democratização da qualidade de vida. 

“Estamos diante de um ponto de inflexão na história do saneamento do Rio. A chegada das obras à Maré representa muito mais do que infraestrutura: é a democratização da qualidade de vida, da saúde e da dignidade para 200 mil pessoas. É um passo enorme dentro do nosso desafio de levar saneamento a todos, de casa em casa, superando barreiras históricas e cumprindo a missão de transformar realidades”, afirma o presidente da Águas do Rio, Anselmo Leal.

A iniciativa faz parte do plano da empresa de investir R$ 19 bilhões até 2033 na universalização dos serviços nos 27 municípios onde atua, sendo R$ 2,7 bilhões destinados exclusivamente a intervenções no entorno da Baía de Guanabara. Nos primeiros quatro anos de concessão, a companhia já aplicou R$ 5,8 bilhões em melhorias estruturais no Estado do Rio de Janeiro.

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