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Com João Pedroso de Campos (subeditor), Gustavo Silva, João Pedro Bitencourt e Jade Abreu

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Reportagem

Mais um ex-sócio de Vorcaro na mira da Polícia Federal

Ex-sócio de Vorcaro, Lucas Kallas construiu rede de influência que coincidiu com a expansão de seus negócios e sucessivas investigações

por Igor Passarini e Guilherme Amado
02/07/2026 às 12:16 · Atualizado há 3 meses
O empresário Lucas Kallas (Foto: Divulgação/Cedro Mineração)

A Polícia Federal mira um novo sócio de Daniel Vorcaro, o empresário mineiro Lucas Kallas, numa nova frente da investigação sobre o possível uso dos fundos da Reag, a megagestora de fundos de investimento liquidada pelo Banco Central e alvo de um inquérito na PF por suspeita de fraudes e lavagem de dinheiro. Com histórico de investimentos em setores diversos, que reúne sob o guarda-chuva da Cedro Participações, tornou-se um ator relevante na mineração.

Atualmente trabalha na internacionalização de seus negócios, mirando em especial os Estados Unidos. Indiciado em outro inquérito da PF, sobre crimes ambientais e exploração minerária sem autorização, Kallas vem tentando afastar sua imagem da de Vorcaro, ao mesmo tempo que ganha luz a coincidência entre um histórico de investigações, a construção de uma ampla rede de relações políticas, empresariais e institucionais e a forte expansão de seus negócios.

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Nascido em Belo Horizonte, em 1979, iniciou sua trajetória a partir de uma base já forte. Lucas é neto de Farid Kallas, empresário libanês que imigrou para o Brasil na virada dos anos 1900 — o nome da holding de Lucas, Cedro Participações, é uma referência ao cedro do Líbano — e se estabeleceu em Passos, no Sul de Minas Gerais. Lá, fundou duas empresas, a Kallas Construtora e a Farid Eletrodomésticos.

A construtora foi a base para o neto empreender, quando Lucas ganhou da família, nos anos 2000, um terreno para começar um negócio comum no ramo: urbanizava a área e vendia os lotes. Anos depois, veio a migração para o setor mineral, que seria de fato o segmento que o faria mudar de patamar como empresário.

A Cedro atualmente tem duas minas em operação e duas minas em desenvolvimento – todas em municípios do Quadrilátero Ferrífero – com produção anual de sete milhões de toneladas de minério de ferro, sendo quatro na Mina do Gama, em Nova Lima, na Região Metropolitana, e três na Mina Mariana, na cidade homônima que fica a 120 quilômetros de Belo Horizonte. O plano de expansão da mineradora para os próximos anos prevê a produção de 20 milhões de toneladas de minério de ferro e a operação de novas minas no estado, em Barão de Cocais e Itabirito, também no Quadrilátero.

Em paralelo ao crescimento da mineração como espinha dorsal do grupo, veio a atuação em logística e infraestrutura — o projeto da Ferrovia Serra Azul, ligando a Grande Belo Horizonte à malha ferroviária nacional, e a ruidosa vitória, sem concorrência, do leilão do terminal ITG02, no Porto de Itaguaí, no Rio de Janeiro.

No agronegócio, sua principal frente está no café, na Serra do Cabral, no Centro-Norte de Minas Gerais, com três fazendas e 900 hectares plantados. O total será de 4.100 hectares de plantio, com R$ 150 milhões investidos no grão. Na Bahia, em Santa Rita de Cássia, outros 12.500 hectares estão sendo desenvolvidos. O plano ali é preparar 10.000 hectares para pecuária e o plantio de soja e milho.

CAFÉ - CEDRO PARTICIPAÇÕES / VORCARO / KALLAS
Plantação de café da Cedro Participações. Divulgação / Cedro Participações

Também no agronegócio, Kallas usa o mesmo faro que era a base de seu primeiro negócio. Agora, em vez de procurar terrenos para lotear na construção imobiliária, compra áreas rurais com potencial de valorização, a exemplo de uma área de 80 mil hectares em que investiu no Tocantins.

Os investimentos incluíram nos últimos anos a Latache, uma gestora de investimentos especializada em special situations, a Oncoclínicas, um complexo de tratamento de câncer, e a empresa de biotecnologia Biomm, focada em produção de insulina. Foi nesses negócios que seus laços societários com Vorcaro começaram a se cruzar.

Kallas e Vorcaro fazem parte de uma mesma geração de empresários de Minas Gerais, nascidos entre as décadas de 1970 e 1980 e que são, na maioria dos casos, segunda ou terceira geração de imigrantes (o avô de Vorcaro era imigrante italiano). Muitos se conhecem até de infância, frequentaram as mesmas escolas, conheciam-se da alta sociedade belo-horizontina, ascenderam economicamente com empreendimentos próprios e passaram a ganhar influência política. Viveram o auge do sucesso do PSDB em Minas Gerais, souberam trafegar pelos gabinetes petistas no governo Fernando Pimentel e aderiram, com maior ou menor intensidade, ao projeto presidencial de Aécio Neves.

Vorcaro era o mais show-off da turma. Já Kallas sempre teve perfil um pouco mais discreto, distante da exposição pública cultivada por Vorcaro. Mais do que amigos, tornaram-se parceiros de negócios em que somavam suas fortunas para investir. Foi assim com a Biomm.

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master (Foto: Divulgação/Banco Master)

Na biofarmacêutica, especializada na produção de insulina, a Cedro detinha cerca de 8% do capital, enquanto Vorcaro controlava aproximadamente 25% por meio do fundo Cartago/WNT. Já na segunda, a gestora especializada em special situations, Kallas comprou uma participação em 2024 e intensificou a compra de ações da Oncoclínicas, empresa que havia aplicado centenas de milhões de reais em CDBs do Banco Master, e que tem como principal sócio outro mineiro da mesma geração, Bruno Ferrari.

Após vender sua participação na Biomm e na Latache, anunciou que concentraria investimentos na expansão da Cedro Mineração e na implantação da ferrovia na região de Serra Azul e no terminal portuário em Itaguaí.

“Lucas nunca foi sócio de Daniel Vorcaro. Participações acionárias em companhias de capital aberto, juntamente com grandes bancos e fundos, não permitem esta ilação. A Cedro, aliás, saiu da Biomm por não obter o retorno esperado, optando por concentrar seus investimentos no setor de mineração”, disse a assessoria de Kallas, em nota enviada ao Amado Mundo.

A tentativa de negar a proximidade com Vorcaro, em alguns casos, é cômica. Em março, a jornalista Natália Portinari trouxe dados de investigações da Polícia Federal que apontavam que os dois foram juntos à Venezuela, em busca de oportunidades no setor petroleiro. E-mails encontrados no celular de Vorcaro mostram um pagamento de US$ 23 mil (R$ 121 mil) em duas suítes de um hotel em Caracas, de 27 de novembro a 1º de dezembro de 2023, para Vorcaro e Kallas. 

Em nota à época, a assessoria de Kallas afirmou que “durante a passagem pela Venezuela no fim de 2023, o empresário avaliava uma oportunidade de investimento no setor mineral, a convite de um grupo empresarial do Catar —agenda na qual Daniel Vorcaro não teve qualquer conhecimento ou participação, embora estivesses hospedados no mesmo hotel e tenham ocasionalmente se encontrado”.

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O Amado Mundo apurou que a viagem foi um convite de Vorcaro a Kallas. O ex-banqueiro prospectava uma oportunidade de negócio em petróleo na Venezuela e convidou Kallas para investir a seu lado. Segundo fontes, o investimento não teria ocorrido.

No retorno da viagem, os dois foram juntos ao Palácio do Planalto. Na semana seguinte ao retorno da viagem a Caracas, em 4 de dezembro de 2023, Vorcaro e Kallas tiveram uma agenda juntos no Palácio do Planalto, em Brasília. A investigação jornalística de Portinari obteve registros do GSI por meio da Lei de Acesso à Informação que apontavam que os dois tiveram a entrada registrada no mesmo minuto, às 15h43. 

Ainda assim, a assessoria de imprensa de Vorcaro afirmou que foi uma… coincidência. Os dois jamais teriam estado juntos no Planalto.

Relações políticas e um porto todo seu

O Palácio do Planalto afirmou que a visita de Kallas em 2023 teve “caráter estritamente institucional”, e teria ocorrido para tratar de “temas relacionados ao Conselho de Desenvolvimento Econômico Social e Sustentável, colegiado do qual foi membro no período mencionado”, o Conselhão.

A chegada ao Conselhão de Lula foi o ápice da construção de uma rede de relações com políticos construída por anos. Kallas é próximo de Walfrido dos Mares Guia, o empresário mineiro e ministro de Lula entre 2003 e 2007. Mares Guia é sócio-fundador da mesma Biomm da qual Kallas e Vorcaro também tiveram uma fatia.

Fora esse laço, aproximou-se e se afastou ao longo dos anos de diferentes figuras do poder, como o ex-deputado João Alberto Lages e, mais recentemente, Alexandre Silveira, o ministro de Minas e Energia do governo federal. Silveira é apontado como o responsável pela indicação de Kallas para o Conselhão de Lula, o órgão de participação da sociedade civil e do empresariado que se reúne ocasionalmente com a Presidência para debater temas diversos de interesse do país. Kallas integrou o Conselhão nos anos de 2023 e 2024. Atualmente, ele e Silveira têm uma relação distante, um súbito afastamento ainda sem explicação pública de parte a parte.

Porto de Itaguaí / Kallas / Vorcaro
Porto de Itaguaí. Divulgação / PortosRio

Outro ministro de Lula com quem Kallas teve proximidade foi Silvio Costa, titular de Portos e Aeroportos de 2024 até março deste ano. O contato com Costa foi frequente especialmente quando Kallas se preparava para o que seria um de seus maiores sucessos nos últimos anos. Em dezembro de 2024, Kallas venceu, sem concorrência, o leilão do terminal ITG02, no Porto de Itaguaí, no Rio de Janeiro, com previsão de investimento de R$ 3,5 bilhões. A vitória foi meses após a ANTT autorizar o projeto da Ferrovia Serra Azul. Especialistas apontam que o grupo econômico de Kallas será favorecido pela coincidência de ter a ferrovia e o porto.

Histórico ambiental

Empresas ligadas ao grupo são alvos de questionamentos relacionados à exploração mineral em Minas Gerais.

Entre os episódios mais conhecidos estão intervenções na Serra do Curral, patrimônio tombado de Belo Horizonte, além de impactos apontados sobre áreas de Mata Atlântica, Serra do Rola-Moça, Córrego Taquaril e outras áreas de preservação permanente.

Apesar das controvérsias, a Cedro continua buscando ampliar sua produção em Mariana, onde mantém processos de expansão em análise pelos órgãos competentes.

Uma das investigações ambientais, um inquérito da Polícia Federal, apura a suposta exploração irregular de minério de ferro na Serra do Curral, área protegida e símbolo histórico de Belo Horizonte. De acordo com as investigações, empresários ligados ao caso teriam se valido de um Plano de Recuperação de Área Degradada para manter e ampliar atividades de mineração em uma região tombada durante mais de uma década.

A apuração, cujos detalhes foram revelados pela repórter Alice Maciel, na época na Agência Pública, também alcança dois ex-dirigentes da Agência Nacional de Mineração (ANM), suspeitos de favorecer o esquema. Ambos deixaram seus cargos em abril, em meio a investigações sobre possíveis crimes como peculato, corrupção e advocacia administrativa.

Em 2022, Francine Prado Kallas, irmã e sócia do empresário no Grupo Cedro, doou R$ 990 mil ao PSD, partido do ministro Alexandre Silveira, das Minas e Energia, e figura com forte ascendência sobre a ANM. Dois anos depois, destinou mais R$ 1 milhão à legenda. 

Em nota para Maciel, a assessoria de Lucas Kallas afirmou que as contribuições foram feitas por Francine em caráter pessoal, ao diretório nacional do partido, e “em conformidade com a legislação eleitoral”, sustentando que elas não tiveram qualquer relação com o ministro.

As suspeitas envolvendo a atuação da Empabra ganharam força com a Operação Parcours, deflagrada pela Polícia Federal em 28 de março.

A investigação concentra-se nas atividades desenvolvidas pela empresa na mina Curumi entre 2014 e 2025. A PF sustenta no relatório da investigação que um projeto apresentado como recuperação ambiental teria sido usado para viabilizar a extração de minério sem a autorização necessária, provocando danos ambientais considerados permanentes. O documento estima em R$ 832 milhões o prejuízo decorrente da exploração irregular e aponta ainda uma perda aproximada de R$ 11 milhões em arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração Mineral. Diante da dimensão dos fatos investigados, os policiais classificam o caso como uma “distopia ambiental”.

Mina Curumi / Kallas / Vorcaro
Mina Curumi. Divulgação / Prefeitura de Belo Horizonte

No âmbito da Operação Parcours, o empresário foi indiciado no sábado, 27, por usurpação de matéria-prima da União, mineração ilegal, crimes ambientais, associação criminosa, lavagem de dinheiro e indícios de corrupção ativa ou tráfico de influência perante órgãos ambientais – conforme revelado pelos jornalistas Lucas Ragazzi e Maurício Angelo, do Observatório da Mineração. 

“A defesa de Lucas confia plenamente na comprovação de sua inocência, já que o indiciamento se baseia em fatos antigos, já investigados e arquivados pela Justiça. Kallas não mantém qualquer relação com a empresa investigada desde 2017 e, antes disso, atuava apenas como investidor”, afirmou o empresário na nota enviada pela assessoria.

Apesar das investigações, o empresário manteve o ritmo de expansão da Cedro. Foi nesse período que avançaram os projetos da Ferrovia Serra Azul, do terminal portuário de Itaguaí e a reestruturação societária que marcou seu afastamento dos negócios compartilhados com Daniel Vorcaro.

A investigação de vínculo com a Reag

Os repórteres Mateus Coutinho e Isadora Peron mostraram nesta semana que a Polícia Federal suspeita de Kallas ter usado a estrutura de fundos de investimento da Reag para ocultar patrimônio e lavar dinheiro no setor de mineração. Em janeiro, o Banco Central liquidou a Reag por violações no Sistema Financeiro Nacional. A suspeita é de que a Reag estivesse sendo usada para administrar fundos fraudulentos e abastecer patrimônios pessoais, como o de Daniel Vorcaro.

O nome da Reag surgiu em diferentes frentes na investigação. Uma delas decorreu da análise de mensagens obtidas com a quebra do sigilo eletrônico do pai de Kallas. Entre os e-mails examinados, a PF encontrou uma solicitação encaminhada por um executivo da Cedro Mineração para que fosse providenciado o cadastramento de Francine Kallas, a mesma irmã do empresário que doou para o caixa do PSD de Alexandre Silveira, num fundo administrado pela Reag.

Os investigadores também destacam que a documentação relacionada a esse cadastro atribuía à irmã de Kallas a maior parcela do patrimônio informado, circunstância considerada relevante no contexto da investigação. O mesmo executivo que encaminhou o pedido de cadastramento aparecia vinculado à empresa cujas participações compunham parte expressiva dos ativos declarados.

De acordo com os documentos analisados pela PF, a ficha patrimonial apresentada à Reag registrava bens de aproximadamente R$ 204 milhões em nome de Francine Kallas. A quase totalidade desse montante — cerca de R$ 200 milhões — correspondia à participação na Monte Líbano Participações, empresa ligada ao Grupo Cedro. A PF chama atenção para o fato de a empresa ser presidida pelo mesmo executivo da Cedro que havia intermediado, por e-mail, o processo de cadastramento junto à gestora.

A documentação também indicava a existência de aplicações financeiras superiores a R$ 10 milhões e previa a possibilidade de novos aportes no fundo.

A PF decidiu abrir essa linha de investigação para verificar se houve uma estruturação patrimonial paralela, o uso de pessoas interpostas, a ocultação de beneficiário final e lavagem de dinheiro dos ativos minerários. 

“O investimento em fundos é prática ordinária no sistema financeiro, com recursos privados e declarados a todos os órgãos de controle”, afirmou a Cedro em nota à imprensa.

A Reag disse que Lucas Kallas “nunca foi cliente da Reag”, e observou que isso é um dado público que consta do site da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). 

Cadê Kallas?

Ao longo da apuração dessa reportagem, no último mês, o Amado Mundo ouviu de diferentes fontes a informação de que Lucas Kallas não estaria mais morando no Brasil. Ao procurar o empresário, o canal perguntou à sua assessoria de imprensa se o empresário está no Brasil.

A assessoria não respondeu objetivamente e se restringiu a dizer que “as viagens de Lucas integram a estratégia de internacionalização da holding e de seus negócios, voltada à prospecção de oportunidades para o grupo”.  Segundo a assessoria de Kallas, em 2025, ele teria visitado “mais de 17 países em agendas comerciais e institucionais”.  

A Parcours não é a primeira investigação de fôlego que tem Kallas como alvo. A primeira foi deflagrada pela Polícia Federal em 2008. A Operação João de Barro apurava um esquema de desvio estimado em R$ 700 milhões de recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), destinados à construção de moradias populares e obras de saneamento. Lucas Kallas e seu pai chegaram a ser presos durante a operação.

As investigações apontavam suspeitas de fraude em licitações, corrupção ativa, tráfico de influência, desvio de recursos públicos e formação de quadrilha envolvendo empresários e agentes públicos. Naquele momento, o grupo Kallas ainda concentrava suas atividades na construção civil e em serviços urbanos. Kallas chegou a responder por sete ações, sendo condenado por tráfico de influência. Foi absolvido em duas, teve a pena prescrita em outra e não foi julgado nas demais.

Da realidade para a ficção, circula entre quem observa os passos de Kallas ao longo dos anos uma comparação chistosa, com o personagem Marco Aurélio, interpretado pelo ator Alexandre Nero no remake da novela “Vale tudo”. Na primeira versão da novela, Reginaldo Faria encenou uma sequência épica da TV brasileira, com Marco Aurélio fugindo do Brasil e dando uma banana enquanto foge do Brasil decolando do Rio de Janeiro, ao som de Gal Costa cantando Cazuza: “Brasil, mostra sua cara, quero ver quem paga…”.  

Marco Aurélio, da novela Vale Tudo. Divulgação / TV Globo

Desta vez, a autora Manuela Dias desenhou outro final. Alexandre Nero tentou fugir, mas foi preso no aeroporto e teve que colocar tornozeleira. A coincidência, além da prisão e da incerteza se Kallas está no Brasil ou não, está nos planos profissionais que Marco Aurélio tinha. Dizia o personagem em “Vale tudo”:

“Eu quero entrar para a mineração. O dinheiro não está por aí mais, voando pelos ares. Está debaixo da terra. O que tão achando de minério no Brasil”.

(Correção às 20h35 de 2 de julho de 2026. A primeira versão desta reportagem continha uma imprecisão afirmando que Vorcaro também teria sido sócio com Kallas na Latache. A informação estava errada e foi suprimida.)

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