Pesquisa

Maioria apoia classificar facções como terroristas, mas rejeita ação unilateral dos EUA

Pesquisa Datafolha revela que 59% dos brasileiros aprovam medida dos EUA contra PCC e CV, porém 74% defendem soberania nacional

por Letícia Corrêa
23/06/2026 às 15:09 · Atualizado há 4 meses
PCC e CV
O Comando Vermelho é uma das maiores facções criminosas do Rio de Janeiro e do Brasil (Pablo Porciuncula/AFP)

A decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas tem 59% de aprovação na população brasileira, que concorda de forma total ou parcial com a medida. No entanto, 74% rejeitam qualquer possibilidade de que os EUA atuem contra integrantes dessas facções em território brasileiro sem a devida autorização do governo brasileiro. 

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Os dados, revelados nesta terça-feira (23/6) em pesquisa do Datafolha, demonstram que a população está atenta ao assunto, pois 83% dos brasileiros afirmam ter conhecimento da nova classificação americana e 72% se consideram bem ou mais ou menos informados sobre o tema. O levantamento ouviu 2.004 pessoas em 139 municípios entre 17 e 18 de junho, e tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais e para menos. 

A intenção dos EUA com as facções e a polarização

As reais intenções do governo de Donald Trump ao anunciar a classificação dividem os brasileiros e refletem as preferências político-partidárias. Enquanto 50% avaliam que os Estados Unidos querem “ajudar a população brasileira”, 47% enxergam a medida como uma “desculpa para mandar no Brasil”. 

A crença na ajuda americana chega a 81% entre simpatizantes do PL e a 77% entre os que declaram voto no pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro. Na ponta oposta, a desconfiança de que o rótulo seja um subterfúgio para a ingerência dos EUA no país atinge 69% entre os que preferem o PT e 63% entre os eleitores de Lula. 

O nome de Flávio também foi testado pelo Datafolha no episódio. Para 54% dos entrevistados, o senador do PL teve influência na decisão americana. Contudo, entre aqueles que percebem essa articulação, a maioria (57%) considera que a influência do senador foi negativa para o Brasil.

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