Entrevista

Mara Luquet: ‘Gilmarpalooza deveria ter painel para debater Código de Ética do STF’

A jornalista e CEO do canal My News destaca que as críticas ao Fórum de Lisboa, chamado de Gilmarpalooza, são válidas, mas diz acreditar que o evento é produtivo

01/06/2026 às 12:43 · Atualizado há 4 meses
Gilmarpalooza
O ministro do STF Gilmar Mendes (Foto: Gustavo Moreno/STF)

Para a jornalista e CEO do canal MyNews, Mara Luquet, o Fórum de Lisboa, evento organizado pelo instituto do ministro Gilmar Mendes na capital portuguesa que ficou conhecido como “Gilmarpalooza”, não deve ignorar as crescentes críticas sobre a proximidade entre magistrados, políticos e empresários. A solução construtiva, segundo ela, seria institucionalizar a polêmica e discutir a própria conduta do Supremo Tribunal Federal (STF) abertamente com a sociedade durante a programação oficial. 

Leia também: No ‘Gilmarpalooza’, Moraes pede regulação internacional de big techs e cita encíclica de Leão XIV

Em participação no programa Matinal, do canal Amado Mundo, Luquet analisou a 14ª edição do evento, que ocorre nesta semana na capital portuguesa e que ganhou o apelido irônico de “Gilmarpalooza” devido às suas proporções gigantescas e à imensa concentração de poder em seus corredores. Segundo a jornalista, em vez de o Supremo fingir que os questionamentos sobre transparência não existem, o fórum tem estrutura e relevância para encarar o problema de frente. 

“Discutir o Código de Ética para o STF em um painel seria super relevante. Você tem um monte de gente envolvida e daria um belo painel, além de ser uma pauta muito atual no Brasil”, afirma a jornalista. 

Confira os trechos mais importantes da entrevista sobre o Gilmarpalooza

O ministro Gilmar Mendes usa um argumento recorrente em sua defesa [do evento]. Ele fala que ninguém precisa ir ao Fórum de Lisboa para fazer coisa errada. E você acabou de falar que tem lobby em todos os lugares. Não precisa sair de casa para fazer coisa errada, na verdade, Mara. A pessoa pode pegar o WhatsApp, gravar um áudio para um banqueiro e pedir R$ 130 milhões, mesmo sendo um senador, sem sair de casa. Não pode fazer isso?

Exatamente, pode fazer. E é importante destacar que, quando se fala em lobby, parece que é só o lado ruim da força, mas tem um lado bom. É legítimo que as forças se encontrem no Congresso para fazer lobby. O problema são as “moedas” que muitos usam para fazer esse lobby. Inclusive, os lobistas profissionais não gostam dessa invasão em seu território por práticas pouco republicanas. O cara pode ligar de casa pelo WhatsApp e falar com o banqueiro para cobrar dinheiro. O fórum é impecável em termos de pauta, os convidados são muito bons; a crítica recai sobre os encontros que acontecem ao redor dele. 

O fórum é pouco diverso, pouco democrático. A razão que traz muitas dessas pessoas para cá é o convescote, o lobby? 

Primeiro, eu acho que vocês tocaram num ponto muito relevante sobre a história da corrupção. Quando vocês falam que não se trata apenas de dinheiro público, foi perfeito. O caso do Banco Master é exatamente isso: trata-se de dinheiro privado, a poupança de servidores públicos. Mas o ponto central de toda essa polêmica é que você tem um ministro do STF atuando como empresário. Ninguém discorda do sucesso do IDP (Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa), instituto de Gilmar Mendes, ou do evento.

O problema é: o ministro do STF ser empresário é legítimo ou não? Pode ou não pode? A Suprema Corte é importante demais para ser achincalhada do jeito que está sendo nas redes. O ponto principal é esse, e essa dupla atuação acaba se tornando tóxica para um evento de sucesso. 

Eu adorei a ideia que você deu de que deveria haver uma mesa no próprio Fórum de Lisboa para discutir esse tipo de questão ética, e não simplesmente ignorar o assunto como se ele não estivesse acontecendo. Porque aí fica esquisito mesmo. 

Discutir o Código de Ética para o STF em um painel seria super relevante. Você tem um monte de gente envolvida e daria um belo painel, além de ser uma pauta muito atual no Brasil. 

Assista à entrevista na íntegra:

PLAYLISTS