Reportagem

Desenrola 3.0: programa é lançado com compra direta de dívidas das famílias pelo governo

Nova fase do programa prevê aquisição de até R$ 150 bilhões em débitos atrasados com descontos mínimos de 90% junto aos bancos

por Letícia Corrêa
25/09/2026 às 20:07 · Atualizado há 1 semana
Lula aparece ao lado de Geraldo Alckmin e Fernando Haddad no lançamento da campanha do PT em 2026
Lula aparece ao lado de Geraldo Alckmin e Fernando Haddad no lançamento da campanha do PT em 2026 (Nelson Almeida/AFP)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou, nesta sexta-feira, 25/9, uma Medida Provisória (MP) que institui o Desenrola 3.0. Diferente das fases anteriores, que atuavam principalmente como canais de intermediação para renegociação, o novo modelo determina que o governo federal compre diretamente as dívidas das famílias, por meio do Tesouro Nacional.

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Mudança de modelo e objetivo

Durante a cerimônia de anúncio realizada em São Paulo, o presidente destacou a mudança de abordagem em relação aos programas anteriores.

“As pessoas antes tinham que procurar um banco. Agora, o governo vai comprar a dívida das pessoas”, disse o presidente. A proposta do Executivo visa limpar o nome dos inadimplentes, assumindo o compromisso financeiro e cobrindo os eventuais prejuízos dos débitos elegíveis.

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Público-alvo e volume de dívidas de medida de Lula

O foco do Desenrola 3.0 é atender famílias com dívidas em atraso há no mínimo 2 anos e no máximo 4 anos e meio. O Ministério da Fazenda estima um saldo total de R$ 300 bilhões em dívidas elegíveis. A meta do governo é alcançar 50% desse total, cobrindo cerca de R$ 150 bilhões em débitos.

Desconto de 90% e impacto fiscal

Por se tratar de débitos considerados de difícil recuperação pelas instituições financeiras, o governo projeta obter um desconto (deságio) mínimo de 90% na compra dos títulos junto aos bancos. Com a aplicação desse percentual, o impacto aos cofres públicos está estimado em R$ 15 bilhões.

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