Lula é dos poucos líderes que se posiciona contra Trump, e ainda é elogiado pelo americano
Tom amistoso de encontro entre mandatários, ocorrido nesta quinta-feira (7), em Washington, é motivo de alívio para governo Lula

A sensação é de alívio para o governo Lula após a conversa com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Os pontos mais sensíveis que poderiam ser debatidos entre os presidentes — como a classificação das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas — não foram discutidos.
O presidente brasileiro saiu da reunião com a imagem de aconselhador e, na equação entre os dois países, ambos os lados demonstraram satisfação. Uma verdadeira vitória diante das tensões entre Brasil e Estados Unidos. Após o encontro, Trump chegou a afirmar que Lula era “um homem bom, um cara inteligente”.
Antes da reunião ocorrida nesta quinta-feira (7), em Washington, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva solicitou uma mudança no protocolo: que a conversa fosse realizada a portas fechadas, sem a participação da imprensa. Se, por um lado, isso gerou tensão na mídia internacional, que passou a questionar se as divergências entre as duas nações continuavam sem solução, para os governos a medida retirou o caráter performático da política e permitiu uma conversa mais técnica, com avanços em pontos convergentes entre os dois países.
Mesmo com as comemorações em torno do tom amistoso da reunião, a dúvida que permanece é o que será feito, na prática, em relação aos pontos concretos da relação entre Brasil e Estados Unidos. Ainda assim, Lula segue como um dos poucos líderes globais que consegue se posicionar contra Trump na política externa e, ao mesmo tempo, sair de um encontro recebendo elogios do presidente americano.
Soberania nacional e trunfo para Lula nas eleições
O encontro, todavia, não elimina o risco de uma possível interferência americana nos assuntos da política brasileira, principalmente nas eleições — ainda que isso represente apenas uma forma de pressão internacional.
As narrativas que circulam nas redes sociais entre políticos da extrema direita apontam que o fato de a reunião ter ocorrido a portas fechadas significaria, na verdade, um desastre diplomático. O fato é que Trump mantém alinhamento ideológico com o bolsonarismo e, por isso, há a tendência de que as pressões da extrema direita — inclusive sobre a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas — continuem.
Do outro lado, o presidente Lula deve utilizar o encontro como trunfo em sua campanha eleitoral, destacando que saiu da reunião sorridente, sem punições ao Brasil e defendendo a soberania nacional, sobretudo ao reforçar que as eleições brasileiras são um assunto dos brasileiros.
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