Sem debate, noite de 5ª teve duelo de lives, e Lula ganhou de Flávio Bolsonaro
Globo cancelou debate após decisões de TSE e STF; no Flow Podcast, Lula teve pico de 1,6 milhão de espectadores simultâneos; senador teve 955 mil em seu canal

O último debate presidencial antes do primeiro turno não aconteceu, e os dois líderes das pesquisas foram para a internet. A entrevista do presidente Lula (PT) ao Flow Podcast teve pico de mais de 1,6 milhão de espectadores simultâneos. A live do senador Flávio Bolsonaro (PL) com aliados chegou a 955 mil.
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Lula já havia confirmado que não iria ao debate. Sem ele, a Globo pretendia manter seu lugar vazio no estúdio para marcar a ausência. A ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), vetou esse plano. A decisão atendeu a um pedido da coligação de Lula e proibiu tanto o púlpito vazio quanto perguntas dirigidas ao presidente.
Flávio anunciou nas redes que também não iria minutos antes de o ministro Gilmar Mendes, do STF, atender a um pedido do Solidariedade e determinou a participação de Renan Santos (Missão). O senador disse que não iria por conta da “censura imposta ao evento pelo TSE”.
Mais cedo, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, havia decidido que a Globo não era obrigada a convidar Renan. Pelas regras da emissora, o convite só era obrigatório para candidatos de partidos ou federações que elegeram ao menos cinco parlamentares em 2022. O Missão tem apenas um parlamentar no Congresso. Depois disso, o ministro Gilmar Mendes reverteu essa decisão.
O que disse a Globo
O debate estava marcado para as 21h30 e foi cancelado pouco antes das 21h. Em nota, a emissora informou que recebeu duas notificações “que interferem nas regras previamente acordadas”, e por isso decidiu cancelar o encontro.
A Globo também afirmou que as decisões, tomadas poucas horas antes do programa, geraram insegurança jurídica e representaram interferência indevida na liberdade das emissoras de organizar debates. Uma novela foi exibida no horário. Sem Renan, estavam previstos no estúdio Flávio, Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo).
As lives de Lula e Flávio
Lula recebeu o apresentador Igor, do Flow, no Palácio da Alvorada. Ele criticou o formato de debates com muitos candidatos, que segundo ele “não produz nada” e respondeu às perguntas do apresentador sobre diversos tópicos de seu programa de governo.
Já a transmissão de Flávio começou com o senador ao lado de Douglas Ruas, Carlos Portinho e Carlos Jordy. Depois, outros aliados entraram por telefone, entre eles o irmão Carlos Bolsonaro e Pablo Marçal. O tom foi de críticas à interferência do TSE no debate.
Reação dos adversários
Caiado culpou em suas redes o Judiciário e disse que o cancelamento do debate é a prova de uma contaminação completa no processo, decisões de gabinetes interferem em candidatos, atropelam regras e blindam a corrupção.
Zema também se pronunciou nas redes e mirou o STF e Renan. Disse que denunciava sozinho a “farra dos intocáveis”, se referindo ao Judiciário, e atacou o candidato do Missão, que, segundo ele, apareceu no debate por uma decisão do Gilmar Mendes que passou por cima de qualquer lei. “É a eleição mais absurda da história do nosso país”, afirmou.
Renan, por sua vez, em manifestação convocada por seus apoiadores em frente à TV Globo, criticou Lula e Flávio por fugirem do confronto. Ele chamou a live de Flávio de “debate de compadres”, feito para convencer o eleitor de que é preciso votar no senador no primeiro turno para evitar a vitória de Lula. “Que país é esse em que os dois primeiros colocados fogem como o diabo da cruz?”, disse.
O primeiro turno acontece no domingo (4).