As lições que a seleção da Espanha deu para o Brasil
Time campeão do Mundial de 2026, Espanha mostra que se manter firme ao estilo de jogo já tradicional de cada país talvez seja o motivo de seu bicampeonato

Ver a Espanha vencer a Argentina na prorrogação e conquistar o título nos deixou reflexões profundas não apenas sobre o evento em si, mas sobre o que falta ao nosso futebol. A grande lição que a seleção espanhola deixa para o Brasil é a lealdade a uma identidade. Enquanto nossa seleção muitas vezes se perde tentando adaptar sua essência às tendências europeias passageiras, a Espanha manteve o seu estilo de jogo absolutamente intacto.
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Eles não abriram mão da posse de bola, da troca de passes envolvente e da paciência para encontrar brechas na defesa adversária. É um projeto de longo prazo que respeita o DNA do futebol do país, algo que precisamos resgatar urgentemente se quisermos voltar ao topo.
O último suspiro de Messi foi contra a Espanha
Não podemos falar dessa final sem mencionar o lado argentino da história. Chegar à decisão e levar o jogo até a prorrogação contra uma Espanha tão bem ajustada foi um feito gigante.
Messi, mesmo com o peso dos anos, mostrou por que é uma lenda viva. A inteligência tática, a capacidade de atrair a marcação e os passes que quebram linhas continuaram lá. Ver de perto a frustração de não conseguir coroar essa jornada americana com mais uma taça foi melancólico, mas não apaga o fato de que ele ditou o ritmo de uma seleção que, mais uma vez, lutou até a última gota de suor.
O futebol que virou “Super Bowl”
Se dentro de campo a Espanha nos deu uma aula de tradição, fora dele o que vimos foi uma ruptura dela. A Copa de 2026 mudou para sempre a forma como consumimos e assistimos ao futebol. No Brasil, vivemos a Copa mais digital da história, com milhões de pessoas acompanhando os 104 jogos gratuitamente pelo YouTube. O protagonismo da TV aberta foi diretamente desafiado por essas plataformas digitais.
Mas a revolução foi muito além da tela. O Mundial virou um verdadeiro evento esportivo nos moldes americanos. O choque cultural foi imenso quando nos deparamos com o formato de quatro tempos (contando as pausas para hidratação), desenhado perfeitamente para acomodar o aumento avassalador da publicidade.
E os intervalos? Deixaram de ser apenas uma pausa para os vestiários e se transformaram em mini shows, espetáculos desenhados para manter o espectador grudado na tela, consumindo entretenimento a cada segundo. O futebol, como conhecíamos, abraçou definitivamente a cultura do showbusiness americano. Resta saber se o torcedor vai se adaptar a esse novo espetáculo.
Assista ao Matinal desta segunda-feira (20/7) na íntegra: