Reportagem

Jogadores da LaLiga dominam a final da Copa; Flaco López ‘devolve’ o Brasileirão à decisão após 24 anos

Espanha e Argentina somam 24 jogadores da liga espanhola na final; e Brasileirão volta à final pela primeira vez desde o penta de 2002

por Eduarda Farias
16/07/2026 às 16:06 · Atualizado há 3 meses
Flaco López representa o Brasileirão na Copa / Foto: Cesar Greco/Palmeiras
Flaco López representa o Brasileirão na Copa / Foto: Cesar Greco/Palmeiras

A final da Copa do Mundo de 2026, marcada para este domingo (19), às 16h, no MetLife Stadium, em Nova Jersey, traz um retrato claro do momento das competições nacionais: a liga espanhola (LaLiga) lidera a presença de jogadores entre os finalistas, com 24 dos 52 convocados de Espanha e Argentina atuando em clubes espanhóis, seguida à distância pela Premier League, com 13 nomes. Mas, para o torcedor brasileiro, há um dado mais próximo de casa: o Brasileirão também está representado na decisão — por um único jogador: Flaco López, o atacante do Palmeiras que veste a camisa da Argentina.

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Contratado pelo Palmeiras em 2022 e com vínculo até o fim de 2029, López ganhou espaço na seleção argentina na reta final do ciclo classificatório e, mesmo tendo entrado pouco ao longo da campanha, participou da trajetória que levou a equipe até a decisão.

A classificação argentina também representa um marco para o futebol brasileiro: Flaco López será o primeiro jogador de um clube do Brasileirão a disputar uma decisão do Mundial em 24 anos, encerrando um jejum aberto após o pentacampeonato de 2002. Naquela final, vencida pelo Brasil sobre a Alemanha, 13 dos 23 convocados por Luiz Felipe Scolari atuavam no futebol nacional — um cenário completamente distinto do atual, em que o futebol brasileiro deixou de ser protagonista até na nossa própria equipe.

Artilheiro no Brasil, coadjuvante de luxo na seleção

Fora de campo pela seleção, a temporada de Flaco López pelo Palmeiras ajuda a explicar por que Scaloni decidiu levá-lo aos Estados Unidos. Desde que chegou ao Verdão, o atacante soma 214 jogos, 71 gols e 25 assistências, tendo sido o artilheiro da equipe nas temporadas de 2025 e 2024, se consolidado como uma das principais referências do time comandado por Abel Ferreira.

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Na seleção, seu papel é bem mais discreto do que o exercido no Verdão. Aos 25 anos, o atacante soma sete jogos pela seleção principal argentina e ainda busca o primeiro gol com a camisa “albiceleste”, tendo entrado em campo apenas duas vezes ao longo de toda a Copa — sempre saindo do banco, somando pouco menos de 20 minutos em campo até aqui. Ainda assim, cumpre exatamente a função para a qual foi chamado: ser uma alternativa ofensiva em momentos de pressão, quando a Argentina precisa de respostas rápidas.

Nesta edição, deu a assistência para Julian Álvarez marcar o terceiro gol da Argentina contra a Suíça, nas quartas de final — o que cravou a vaga do país nas semifinais.

2026, ano de recorde para o Brasileirão

A presença de Flaco López na final ocorre justamente na edição em que o Brasileirão teve sua maior representação histórica em uma Copa do Mundo. Sete das 48 seleções tiveram atletas atuando no Brasil, somando 32 jogadores de dez clubes da primeira divisão — número que superou o recorde anterior, de 27 nomes, estabelecido em 1974. Com a eliminação da Colômbia nas oitavas de final, Flaco López foi o único desses 32 atletas a seguir na disputa, já classificado para defender o Palmeiras — e, claro, a Argentina — na decisão.

O Flamengo foi o clube brasileiro com mais representantes espalhados pelo Mundial, cedendo nove jogadores para quatro seleções diferentes, mas nenhum deles seguiu tão longe quanto o centroavante do rival Palmeiras. Também chamam atenção casos como o de Gustavo Gómez, capitão do Paraguai e zagueiro do próprio Palmeiras, e o do holandês Memphis Depay, que disputou o torneio pelo Corinthians — a primeira vez que um jogador europeu foi convocado para uma Copa do Mundo atuando no futebol brasileiro.

O domínio espanhol na decisão

Se o Brasileirão chega à final com um único nome, o mesmo não pode ser dito da LaLiga, que domina numericamente a partida decisiva. Dos 52 jogadores convocados por Espanha e Argentina, 24 pertencem a clubes espanhóis — quase a metade do total —, um cenário que não se repetia com essa intensidade havia duas décadas, desde a final de 2006 entre Itália e França, protagonizada pela italiana Serie A.

O domínio também aparece dentro de campo: nas semifinais que definiram os finalistas, 16 dos 44 titulares escalados jogavam na competição espanhola, e dois dos cinco gols da fase — de Mikel Oyarzabal e Anthony Gordon — saíram dos pés de atletas da LaLiga (o inglês ainda não vestiu a camisa do Barcelona, mas foi anunciado oficialmente pouco antes do Mundial).

No resto do ranking, a Premier League (Inglaterra) aparece com 13 representantes; a Ligue 1 (França) com 5; a Serie A (Itália) com 2, assim como a Bundesliga (Alemanha), MLS (Estados Unidos) e a Liga Argentina. O Brasileirão, com 1, empata apenas com a Liga Portugal.

Entre os nomes mais evidentes da hegemonia espanhola estão protagonistas dos dois lados como o goleiro Unai Simón (Athletic Bilbao), o jovem Lamine Yamal (Barcelona) e Mikel Oyarzabal (Real Sociedad) no ataque. Do outro lado, os titulares Julian Álvarez e Giuliano Simeone (ambos do Atlético de Madrid) são alguns dos que atuam em clubes da Espanha.

Lamine Yamal marcou três vezes pela Espanha em últimos dois jogos contra a França
Lamine Yamal marcou três vezes pela Espanha em últimos dois jogos contra a França (Tayfun Coskun/Anadolu via AFP)
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