Dirceu vê ‘estratégia da direita’ em acusações a Lulinha e Marcola: ‘Como na Lava Jato’
Ex-ministro José Dirceu aponta vazamentos ilegais e políticos de informações em investigação de corrupção como causa de possível desgaste do governo Lula

A dois meses das eleições presidenciais, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu saiu em defesa do presidente Lula diante da sequência de notícias sobre investigações que atingem o entorno do petista, incluindo o filho Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, e o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola. Em entrevista ao Matinal, do Amado Mundo, nesta quarta-feira (5/8), o hoje candidato à Câmara dos Deputados por São Paulo classificou os casos como parte de uma estratégia recente da direita de tentar pautar as eleições com acusações de corrupção, repetindo “o modelo da Lava Jato”.
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Os desdobramentos citados durante o programa incluem a abertura de um novo inquérito pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino contra Lulinha, no contexto das investigações sobre desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), além de informações de que a Polícia Federal teria identificado um repasse de recursos da empresária Roberta Luchsinger (também investigada no caso do INSS) a Marcola.
“A direita vem há meses tentando mudar a agenda do país para segurança pública, corrupção, e não os problemas que o país enfrenta. O país tem uma agenda de problemas graves para o crescimento e desenvolvimento. Isso não quer dizer que a corrupção não seja importante ou que não seja importante combatê-la”, ponderou Dirceu.

O ex-ministro defendeu que as investigações sigam pelos canais institucionais, como inquéritos parlamentares, Polícia Federal e Ministério Público, e destacou que Lula, “ao contrário de Bolsonaro”, não interfere nas apurações.
Dirceu também criticou a atuação do ministro André Mendonça e o que chamou de vazamentos direcionados.
“Não se pode voltar aos meses da Lava Jato. Há denúncias sérias, há indícios sérios de vazamentos dirigidos e há uma indevida interpretação do ministro André Mendonça sobre o papel do Supremo com relação à Polícia Federal. O controle externo da Polícia Federal é do Ministério Público Federal, da Procuradoria-Geral da República, não é dele”, declarou.
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Para ele, essas operações costumam expor publicamente “joias, relógios ou recursos financeiros de cidadãos, sem a devida comprovação de que têm origem ilegal”, o que classificou como “quebra da presunção de inocência e do devido processo legal.” Ao analisar o cenário atual, fez um paralelo com a Lava Jato — operação pela qual foi condenado, mas teve os processos anulados pelo STF posteriormente.
“O que foi feito se demonstrou para país um desastre total, porque destruiu a indústria de projeto de serviços do país e quase inviabilizou a Petrobras. Isso não significa que a Petrobras não precisava ser investigada.”
“A campanha eleitoral vai se dar em torno do debate de combate à corrupção no Brasil de novo? Nós vamos fazer isso de novo? Vimos o que foi a Lava Jato.”
Assista ao Matinal desta quarta-feira (5) completo: