Jaques Wagner: temor no Planalto é de Lula perder vantagem narrativa na corrida eleitoral
Medo é de que suspeitas sobre ligação de Jaques Wagner com caso Master façam com que eleitores achem que o escândalo atinge igualmente Flávio Bolsonaro e Lula

O líder do governo no Senado, senador Jaques Wagner (PT-BA), virou o centro de uma nova crise política após ser alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, que investiga o escândalo do Banco Master. A situação coloca o presidente Luiz Inácio Lula da Silva diante de um dilema sobre o custo político de manter um aliado tão próximo no cargo, especialmente às vésperas do período eleitoral.
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As investigações da Polícia Federal (PF) apontam para o suposto recebimento de vantagens indevidas em troca de atuação no Congresso. Entre os benefícios investigados estão um apartamento avaliado em R$ 2,45 milhões e dinheiro vivo encontrado em imóveis relacionados ao parlamentar.
As suspeitas contra Wagner envolvem o relacionamento do senador com Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro, e, embora o senador justifique que o dinheiro é fruto de diárias de viagens oficiais pagas pelo Senado e que o apartamento seria comprado para sua filha, a quantia em dinheiro vivo atrai a desconfiança pública e dos investigadores.
Planalto não gostou das declarações de Wagner
O cenário, que era tratado com tranquilidade pelo governo sob a crença de que o escândalo não atingiria a cúpula baiana, mudou. A reação pública de Jaques Wagner gerou mal-estar no Palácio do Planalto.
Ao afirmar que a decisão de sua permanência na liderança caberia exclusivamente a Lula e ao comparar sua situação de investigado com a que o próprio presidente enfrentou na época da Lava Jato, o senador transferiu o peso da crise diretamente para o colo do Executivo, que não vê as atitudes como benéficas para a pré-campanha presidencial do petista.
O envolvimento de um dos principais articuladores do governo ameaça esvaziar o desgaste que o escândalo vinha causando ao pré-candidato à presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, hoje o maior adversário de Lula, segundo as pesquisas. Levantamentos recentes já indicam que o “sangramento” na campanha de Flávio estancou, e o risco para a campanha petista é que o eleitorado independente passe a enxergar as duas candidaturas como envolvidas no mesmo escândalo, neutralizando a vantagem narrativa de Lula.
No Congresso, pode ser diferente
No Congresso Nacional, o impacto de ter um líder investigado pode acabar diluído. Como diversos outros parlamentares influentes também precisam dar explicações sobre o caso Master, a exemplo do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que chegou a se solidarizar com Wagner, o clima interno perece gerar uma espécie de barreira de proteção mútua entre os políticos.
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