Guerra vai recomeçar? Irã ameaça reação ‘rápida e decisiva’ contra novo ataque dos EUA
EUA anunciaram ataques a bases de forças iranianas após bombardeio do Irã a navio comercial no Estreito de Ormuz

A Guarda Revolucionária do Irã afirmou nesta sexta-feira (26) que a reação contra um ataque dos Estados Unidos no Estreito de Ormuz contra forças iranianas será “rápida e decisiva, no momento e no local que escolhermos”. O comunicado foi feito por meio de um porta-voz na TV estatal do país.
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Na tarde desta sexta, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) anunciou que o exército americano realizou ataques contra o Irã como uma resposta a uma agressão na quinta-feira (25) contra um navio comercial que transitava pelo Estreito.
“Aeronaves americanas atingiram locais de armazenamento de mísseis e drones iranianos, além de radares costeiros, após o Irã atacar o cargueiro M/V Ever Lovely, de bandeira de Singapura, com um drone suicida em 25 de junho. A embarcação deixava o Estreito de Ormuz pela costa de Omã no momento do ataque”, informou o CENTCOM.
De acordo com a Guarda Revolucionária do Irã, as forças navais do país frustraram o ataque e obrigaram os americanos a recuar. “Reafirmamos que a agressão dos Estados Unidos não ficará sem resposta. Nossa reação será rápida e decisiva, no momento e no local que escolhermos”.
Os Estados Unidos consideraram que a agressão das forças iranianas na quinta-feira contra a navegação comercial representou uma violação do acordo provisório de cessar-fogo, que foi firmado na última quarta-feira (17).
O Centcom informou que as forças armadas americanas continuam coordenando e apoiando a passagem segura de embarcações comerciais que transitam pelo estreito. “Os militares americanos afirmaram permanecer presentes e vigilantes para garantir que todos os termos do acordo com o Irã sejam cumpridos, respeitados e permaneçam plenamente em vigor”.
Acordo provisório entre EUA e Irã
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o negociador-chefe do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento persa, assinaram no dia 17 um memorando de entendimento para pôr fim imediato à guerra no Oriente Médio.
As condições definidas no acordo provisório assinado entre os EUA e o Irã estipulam que o Estreito de Ormuz, por onde passava cerca de 20% do abastecimento do petróleo mundial até a guerra ser deflagrada, será reaberto imediatamente; as restrições sobre as exportações petrolíferas iranianas são prontamente retiradas; e a reconstrução do país receberá US$ 300 bilhões.
Pelo acordo, haveria, a partir da data de assinatura, um período de 60 dias para negociações suplementares, que incluirão o futuro detalhado do programa nuclear iraniano. A previsão básica seria que o país desistisse de desenvolver ou tentar adquirir tecnologia para armamento atômico. E os norte-americanos sinalizam com a possibilidade de levantar todas as atuais sanções contra o regime de Teerã, inclusive as definidas pelas Nações Unidas, ao fim das novas negociações.
O que vem sendo apontado como a parte mais delicada e incerta do acordo, porém, nem é o futuro nuclear do Irã, mas o que fará Israel e seu líder, Benjamin Netanyahu. O entendimento assinado é de que todas as operações militares cessam imediatamente, inclusive as israelenses no Líbano.
Estreito de Ormuz é ponto de tensão principal
Ao anunciar o acordo de Irã e Estados Unidos, o presidente americano, Donald Trump, comemorou nas redes sociais “a abertura livre de pedágio do Estreito de Ormuz”.
A versão divulgada pela imprensa iraniana é diferente. Segundo a agência Mehr, Teerã reabrirá a passagem estratégica para o comércio de combustíveis “no prazo de 30 dias, de acordo com os ajustes iranianos”.
Nas etapas finais da negociação, foi incluída uma cláusula que permitirá a Teerã impor o pagamento de “serviços marítimos” em Ormuz.
“O uso do termo ‘serviços marítimos’ significa que os Estados Unidos aceitaram o pagamento de pedágios ao Irã”, explicou a agência, que citou uma fonte que acompanha as negociações de perto.